COCAINA+HEROINA+MACONHA=DROGA

– Cocaína
Produzida em laboratório, a cocaína é extraída da folha de coca, planta cultivada principalmente na Bolívia, Peru e Colômbia, principal ponto de partida do tráfico rumo aos Estados Unidos e à Europa. Refinada até virar um pó branco, a cocaína pode ser misturada a várias substâncias como talco, cimento ou pó de vidro, o que interfere na pureza e no potencial da droga.A cocaína age na comunicação entre os neurônios, aumentando a ação da dopamina, substância liberada pelas células nervosas na parte do cérebro responsável pela sensação de prazer. Por isso, a pessoa sente uma dose extra de prazer – curta, porém – ao consumi-la.A cocaína é uma droga de efeito estimulante, que gera excitação, euforia e sensação de poder. A atividade física e mental são estimuladas e, em contrapartida, o sono, o cansaço e a fome diminuem. Depois de uma hora ou mais, a cocaína vai perdendo seu efeito e o usuário tem que consumir outras doses para prolongar a sensação de prazer.Os problemas do uso contínuo de cocaína se manifestam desde a morte dos tecido do nariz (pela aspiração da droga) ou das veias (no caso de ser injetada) até complicações cardíacas, circulatórias e cerebrais (derrame ou infarto). Podem ocorrer insônia, ansiedade, paranóia, suor excessivo, aumento da pressão sangüínea e irritabilidade. Com o tempo, o usuário vai perdendo a capacidade de sentir prazer sem o uso da cocaína e, se pára de usá-la, fica ansioso por não conseguir obter sensação parecida sem a droga.
– Heroína
Derivada da planta papoula, os chamados opiáceos (também conhecidos como narcóticos) são drogas poderosas, que causam uma rápida sensação de prazer, seguida por um efeito de bem-estar e sonolência. Se a pequena Dorothy, da história do Mágico de Oz, cai no sono profundo depois de passar por uma plantação de exuberantes papoulas vermelhas, não pense que isso é por acaso…Morfina, heroína e codeína são os exemplos mais conhecidos de opiáceos. A heroína é uma droga sintetizada em laboratório, cara e pouco consumida no Brasil, se comparada com outras como maconha e cocaína.A morfina é usada na medicina como analgésico (alivia a dor), e a codeína, em xaropes para tosse. Na forma sólida, a heroína é aquecida (em geral numa colher) até “derreter” e injetada na veia com seringa e agulha. Ela cria um estado de prazer, relaxamento e torpor, mas, como o efeito dura pouco, o usuário logo busca novas doses para obter sensação de bem-estar. O uso da heroína pode causar queda da pressão, diminuição da respiração e dos batimentos cardíacos, podendo levar ao coma e à morte. A droga interfere na atividade dos neurônios que “se acostumam” a trabalhar com a presença do opiáceo. Por isso, quando pára de consumi-lo, o usuário enfrenta uma crise de abstinência com calafrios, suor excessivo, dores musculares e abdominais, vômitos, diarréias, coriza, lacrimejamento e febre. Por provocar dependência rapidamente, a heroína é uma das drogas mais perigosas ao corpo humano.
– Maconha
Cannabis Sativa é o nome que você já ouviu aos montes por aí, nas letras de música do Planet Hemp. Apesar de ser um nome científico, é até bem popular entre as gírias para se falar da maconha. Canabis é a planta, e Tetrahidrocanabinol, ou THC, é a substância responsável pelos efeitos da maconha no corpo. Dependendo de como é cultivada, a erva pode ter uma concentração maior ou menor de THC, o que determina o potencial da droga.A maconha pode ser fumada em cigarros feitos à mão ou cachimbos. A fumaça também pode ser inalada e a erva ingerida quando torna-se ingrediente de chás e receitas nada convencionais.Os efeitos da maconha no corpo dependem da dose consumida, da concentração de THC e da reação individual à droga. Os efeitos mais freqüentes são: excitação seguida de relaxamento, noção de tempo e espaço distorcidas, diminuição dos reflexos, vontade de falar em exagero e fome intensa (a famosa “larica”). Os efeitos físicos mais comuns são olhos avermelhados, pupilas dilatadas, boca seca, palidez e taquicardia.O uso prolongado de maconha pode prejudicar a memória para fatos recentes e causar desânimo generalizado. Algumas pessoas podem ter alucinações, sobretudo visuais. Altas doses de maconha também podem provocar ansiedade intensa, pânico e paranóia.

Hepatite C

A hepatite C é uma doença viral do fígado causada pelo vírus da hepatite C (HCV). A hepatite C pode ser considerada a mais temida e perigosa de todas as hepatites virais, devido à inexistência de vacina e limitações do tratamento, e à sua alta tendência para a cronicidade que complica eventualmente em cirrose hepática mortal.O vírus da hepatite C é um flavivirus, um dos poucos dessa família (que inclui os vírus da dengue, febre amarela e Nilo ocidental) que não é transmitido por artrópodes. Este vírus tem um genoma de RNA simples de sentido positivo (é usado directamente como mRNA na síntese proteica). Reproduz-se no citoplasma e retículo endoplasmático, produzindo dez proteínas virais. Algumas destas proteínas inibem a apoptose (morte programada) da célula e outras inibem a acção do interferon. Tem envelope bilípidico e portanto não sobrevive a condições secas.

 

O vírus tem uma preferência forte (tropismo), em infectar os hepatócitos do fígado. Os sintomas da hepatite são pelo menos tanto devido à acção necessária do sistema imunitário como aos danos causados pelo vírus.
A transmissão é por infecção do sangue por sangue contaminado, como ocorre em transfusões (hoje praticamente impossível de ocorrer dado o rastreio sistemático de todos os dadores) e troca de agulhas infectadas, piercings e tatuagens em estabelecimentos que não esterilizam cuidadosamente todos os materiais (não só a agulha); pela actividade sexual (4%) e da mãe para o filho recém-nascido (4%). No entanto a mulher portadora pode amamentar. Existe uma alta percentagem (em torno de 30%) de casos em que não é possível identificar a origem da infecção.Em Portugal, todas as pessoas que, antes de 1992, se submeteram a intervenções cirúrgicas, que foram sujeitas a transfusões de sangue, e os ex-combatentes da Guerra do Ultramar devem pedir aos seus médicos de família o rastreio da hepatite C (o anti-VHC). É uma simples análise ao sangue..Hoje existe tratamento para a hepatite C. Embora ainda não se possa falar de cura definitiva (há necessidade de esperar pelos resultados finais dos estudos obrigacionais de longa duração em curso) as taxas de resposta mantida variam entre os 50 e os 60% de todos os doentes tratados.Ao contrário da hepatite B, o vírus da hepatite C não incorpora o genoma celular, permanecendo no citoplasma da célula hepática, pelo que o objectivo de cura completa com a eliminação do vírus C seja, em teoria, possível.O tratamento consiste numa injecção semanal de Interferão Peguilado junto com 4 a 6 comprimidos diários de ribavirina. A taxa de resposta ao tratamento varia de acordo com o genótipo do vírus (1, 2, 3, 4, 5 e 6). A taxa de resposta pode variar entre 54 e 63% no caso do genótipo 1 e 4, mais de 75% para o genótipo 3, e 80 a 95% dos casos para o genótipo 2. O tratamento dura entre 24 semanas (genótipo 2 e 3) e 48 semanas (genótipo 1 e 4). Estudos recentes levados a cabo indicam ser possível tratar os doentes genótipo 1 e 4 com baixas cargas virais em apenas 24 semanas e entre 12 a 16 semanas os doentes genótipo 2 e 3 caso consigam negativar a viremia a partir da semana 4 de tratamento, mas que ainda carecem de validação de estudos clínicos com um número maior de doentes.

Rastreios aumentam para combater a SIDA

Numa data em que se poderá estar mais perto de obter uma vacina eficaz contra o vírus da Sida, o Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção pelo VIH/SIDA (CAD) do Barreiro continua a apostar na prevenção desta doença. Para 2008 está previsto levar à população dos concelhos vizinhos mais informação e despistes, na esperança de impedir a transmissão e a evolução da doença.
À semelhança de Setúbal e de Almada, também o Barreiro possui um Centro de Aconselhamento e Detecção Precoce da Infecção pelo VIH/SIDA (CAD), serviço que permite proceder ao rastreio, aconselhamento e apoio psicológico a pessoas portadoras do VIH (vírus da imunodeficiência humana). Com base numa parceria entre a Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA (CNLCS) e o Centro de Saúde do Barreiro, o CAD do Barreiro encontra-se a funcionar na Unidade de Saúde Eça de Queirós há cerca de cinco anos, mas tem visto o número de pessoas a recorrer ao seu serviço decrescer.
Embora esta situação possa parecer “um bom sinal”, na opinião do director do Centro de Saúde do Barreiro, Francisco Gouveia, a actuação do CAD não pode parar, uma vez que “a doença continua a aparecer”. Com o apoio de uma carrinha móvel, previsto está em 2008, começar a proceder à acção deste serviço de “forma descentralizada”, nomeadamente nos concelhos da Moita, do Montijo e de Alcochete.
Com o alargamento desta intervenção, objectivo é proceder a uma “informação prévia da população”, bem como a “possíveis despistes” da doença. Partir para esta decisão prendeu-se com a tomada de consciência de que “é preciso ir à procura de muitas das pessoas que conviria rastrear, em vez de estar à espera que elas recorram ao serviço”.

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Reabilitação de toxicodependentes » Recuperar a vida que esteve perdida

«Comecei a consumir aos 36 anos e viciei-me na cocaína fumada – no crack. A partir daí, já fiz vários tratamentos.»

O Nuno tem hoje 46 anos e é toxicodependente, encontrando-se em reabilitação na Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, que pertence à Associação Dianova Portugal.

Há três meses na Comunidade, Nuno conta-nos que já passou por várias comunidades e que a última recaída foi determinante para a sua decisão de dar início a todo o processo de entrada na Quinta das Lapas. Para além da sua motivação pessoal, contou ainda com o apoio por parte da família.

A entrada na Comunidade não foi para Nuno, ao contrário do que acontece com outros, algo de incómodo pelo isolamento da realidade exterior. As portas estão sempre abertas, o que também ajuda a desmistificar alguma sensação de enclausuramento. As saídas vão acontecendo gradualmente, de início em grupo e acompanhados por elementos da equipa.

Para Nuno, a passagem por outras comunidades também já lhe tinha ensinado como as coisas funcionam. Em todo o caso, e relativamente à Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, Nuno confessa-se agradavelmente surpreendido pelo seu modo de funcionamento.

«Sinto que me estou a integrar bem e que todo o processo está a correr da melhor forma. Senti de imediato uma recuperação física e, entretanto, sinto que estou a levantar a minha auto-estima, a sentir-me melhor comigo próprio. Ter horários e adquirir responsabilidades também me ajudaram. Para além disso, acho que aqui há mais acompanhamento profissional, em várias vertentes.»

A equipa é multidisciplinar integrando uma directora da área terapêutica, uma directora técnica, um psiquiatra, uma médica de Clínica Geral, uma psicóloga clínica, uma assistente social, uma técnica de Reinserção Social, um psicopedagogo, monitores, animadores socioculturais, um administrativo e um motorista, para além do apoio jurídico e de recursos humanos.

De futuro, Nuno espera retomar a sua profissão de jornalista e manter-se abstinente em relação às drogas. No fundo, é recupe­rar uma vida que esteve perdida ou no limbo durante 10 anos. «Gostava de voltar a estudar e quero recuperar. Sinto-me com força para isso. Acima de tudo, também não quero repetir os mesmos erros e ter recaídas que são sempre piores do que a primeira.»

Adaptação, consolidação e pré-reinserção

A Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas é uma resposta ao proble­ma da toxicodependência, nomeadamente, pelo tratamento. A abordagem é orientada pelo Programa Livre de Drogas, numa perspectiva cognitivo–comportamental. Actualmente, conta com 31 utentes portugueses e estrangeiros, numa idade média de 25/26 anos, em diferentes fases do programa de abstinência às drogas.

Para entrar na Comunidade há alguns requisitos, como uma série de exames clínicos, uma entrevista biopsicossocial e uma avaliação do perfil e das necessidades do utente.

Com a entrada do candidato, o mesmo dá início a um programa de longa duração, por norma, de um ano. A primeira fase, designada por «Adaptação» tem o tempo mínimo de um mês e consiste essencialmente na recuperação física do utente e na sua integração com a restante Comunidade.

«É a adaptação à Comunidade, aos ou­tros elementos, às regras, ao espaço, a responsabilidade da casa, entre outras coisas.

A recuperação física passa-se também nesta fase e é primordial porque, muitas vezes, nos chegam com alterações do sono e, por exemplo, estados de ansiedade», refere a Dr.ª Cristina Lopes, directora técnica da Comunidade Terapêutica Quinta das Lapas, Dianova Portugal.

Na segunda fase, designada por «Consolidação» e com a duração aproximadamente de nove meses, o utente passa a ter saídas ao exterior. Os grupos temáticos fazem parte também deste período. Inicialmente há dois grupos, um que trabalha as emoções e outro mais de racionalização que aborda alguns aspectos sociais e, por exemplo, a gestão de dinheiro.

Aqui entram as várias actividades como os ateliers de expressão plástica, de carpintaria, o ponto de Internet no qual se dá formação sobre as novas tecnologias aos utentes, entre outras tarefas quotidianas como a cozinha e a lavandaria.

Dependendo da evolução de cada um, começa-se a trabalhar o Projecto de Vida. A reinserção é um objectivo desde o primeiro dia, mas começa a ter mais relevância nesta segunda fase e essencialmente na terceira, a «Pré-reinserção», que tem um tempo estimado de três meses.

Procurar emprego, um estágio ou um curso profissionalizante, definir onde vai viver, assegurar, no caso de ser um utente com hepatite ou VIH, acompanhamento médico, são algumas das etapas que colocam em prática o Projecto de Vida, sendo, por isso, uma fase mais virada para o exterior e com um investimento maior para o retorno à sociedade.

Associação Dianova Portugal: a luta em três vertentes

A Associação Dianova, Instituição Particular de Solidariedade Social e Associação de Utilidade Pública tem por missão contribuir para o desenvolvimento social através da educação e da intervenção nas toxicodependências, regida pelos valores de compromisso, solidariedade, entreajuda, tolerância, autonomia, integração e internacionalidade.

A prevenção, o tratamento e a reinserção dos toxico­dependentes são os três objectivos-chave. De acordo com a Dr.ª Christina Lizarza, presidente de Direcção da Associação Dianova Portugal, «a prevenção é realizada aproveitando o know-how e a experiência dos nossos técnicos e recursos Dianova, em parceria com entidades públicas e privadas. Por sua vez, o tratamento é realizado em regime residencial em Comunidade Terapêutica e a reinserção trabalha-se através dos Programas de Reinserção, como são o caso da Empresa de Inserção, o apartamento de reinserção social ou medidas de formação profissional e apoio ao emprego do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)».

Fonte: Medicina & Saúde