Guiné-Bissau: Missão da UE com projecto de apoio à luta contra tráfico de droga

Uma missão de peritos dos estados-membros da União Europeia está na Guiné-Bissau para programar um projecto de apoio à luta contra o tráfico de droga, disse hoje à Agência Lusa o representante da Comissão Europeia em Bissau, Franco Nulli.

“Há uma missão de peritos dos estados-membros da UE que veio à Guiné-Bissau no quadro de uma série de visitas a alguns países da África Ocidental com o objectivo de programar um projecto de apoio à luta contra o tráfico de droga”, afirmou o embaixador italiano.

“Esse programa será financiado pelo instrumento de estabilidade, que é um instrumento da União Europeia, e que prevê identificar um programa de luta contra o tráfico de cocaína que vai da América-Latina através de África para a Europa”, sublinhou Franco Nulli.

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Dicionário de calão sobre droga revolta pais

Grande polémica está a gerar o Dicionário de Calão do site do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), que se destina a crianças e jovens a partir dos 11 anos e está acessível em www.tu-alinhas.pt. Associações de pais temem que as expressões ali apresentadas (ver caixa) possam incentivar o consumo de estupefacientes, enquanto psicólogos contactados pela Lusa consideram que podem “fomentar um estilo de vida pouco saudável”.

Segundo o site, “betinho”, “cocó” ou “careta” é “aquele que não consome droga e, por isso, é conservador, desprezível e desinteressante”.

Há ainda definições que os encarregados de educação consideram ser “quase um manual de instruções”.

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Controlo ‘antidoping’ chega ao golfe

Mais de uma centena de membros do PGA Tour reuniram-se em Janeiro, em San Diego, mais concretamente em Torrey Pines, para ouvir desconfiadamente alguns especialistas explicar-lhes como irá funcionar o programa de antidoping que vigorará no mais poderoso circuito de golfe profissional do mundo, sediado nos Estados Unidos, a partir de Julho.

A dada altura, um sujeito com cara de duro, que por três vezes caçou ursos no Alasca e visitou tropas norte-americanas estacionadas na Coreia e em Guantanamo (Cuba), virou-se para a plateia e disparou como se desse uma “drivada” de 300 metros: “Se algum desses tipos vier a minha casa recolher uma amostra sem mandato judicial, será muito difícil escapar-se da minha propriedade sem um chumbo no traseiro.”

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Atraso do instituto da droga ameaça fechar clínica

A única clínica de recuperação e tratamento da toxicodependência (CRTT) existente no distrito de Viseu, inaugurada em Julho do ano passado, em Carregal do Sal, corre o risco de fechar as portas sem praticamente ter funcionado.

O problema não está na falta de condições físicas, técnicas e humanas do investimento privado, superior a 1,5 milhões de euros (sem contar os equipamentos), mas na ausência de um protocolo com o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), que ajude a viabilizar a unidade através da comparticipação da estadia de utentes sem recursos.

“Não há nenhum compromisso assinado entre nós e o IDT. O que houve, desde o início, foram palavras de estímulo e de incentivo no sentido de virmos a ser uma unidade convencionada. O que nos permitiria tratar e recuperar, a custo zero, os cidadãos mais necessitados”, explicou Rui Cerdeira, administrador do CRTT.

O empresário assume que o empreendedorismo privado tem riscos que os promotores devem assumir, mas reconhece que sem o segmento dos utentes convencionados é difícil manter a estrutura.

“O tratamento e a recuperação de pessoas dependentes de drogas, álcool ou tabaco é muito cara. Em média, fica em 2000 euros por mês. É aqui que reside a importância de termos uma convenção com o IDT, que nos permita receber pelo menos os utentes em listas de espera nos Centros de Atendimento de Toxicodependentes (CAT)”, declara Rui Cerdeira.

O empresário recorda que o CRTT começou a ser idealizado há meia dúzia de anos e contou, desde a primeira hora, com o apoio das organizações públicas.

“Fizemos uma candidatura e fomos apoiados na compra de equipamentos pelo Programa Saúde XXI. O IDT licenciou a unidade e sempre nos acalentou a expectativa de virmos a ser uma clínica convencionada”.

À medida que o tempo passa, com atendimentos “residuais” de utentes, Rui Cerdeira reconhece que a clínica pode fechar sem nunca ter funcionado em pleno.

“Escrevi ao IDT e fui informado que o processo aguarda ‘luz verde’ do Ministério da Saúde. Não sei se poderemos esperar mais tempo. Um dos nossos sócios já foi embora, face a esta situação insustentável, e eu poderei fazer o mesmo. Será com tristeza que fecharemos as portas”, avisa.

O presidente da Câmara de Carregal do Sal, Atílio Nunes, está preocupado. “O responsável do IDT, João Goulão, esteve na inauguração e prometeu que iria estabelecer uma convenção com a clínica. Já lhe escrevi a lembrar a promessa”, disse ao JN.

Localizada em Travanca de S. Tomé, no centro de Carregal do Sal, a clínica de recuperação e tratamento de dependentes de drogas tem capacidade para receber 38 pessoas em regime de internamento 13 na unidade de desabituação e 25 da comunidade terapêutica.

O JN contactou o IDT no sentido de saber em que ponto se encontra o processo. Dificuldades no contacto telefónico com o vogal do conselho directivo, Manuel Cardoso, adiaram a informação.

Fonte: JN

Máquinas de troca de seringas nas prisões

O Plano de Acção contra as Drogas e Toxicodependências foi aprovado hoje em Conselho de Ministros, em simultâneo com o Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências.
Entre as medidas contra as toxicodependências aprovadas está prevista a colocação de máquinas para a troca de seringas usadas por material novo nas prisões e a definição de tempos de espera clinicamente aceitáveis para entrada em programas de tratamento.

No campo da redução de risco, o Plano de Acção, a que a Agência Lusa teve acesso, prevê a identificação de locais prioritários para a instalação de salas de injecção assistida (também conhecidas por ‘salas de chuto’), que deverão ser criadas até 2008, dando cumprimento a legislação de 2001.

É também avançada a intenção de criar um sistema de auditoria técnico-financeira, “interna e externa”, aos programas apoiados pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência.

O plano de acção contra a Droga e Toxicodependências prevê também a realização de estudos sobre o consumo de substâncias ilícitas, nomeadamente entre os estudantes do ensino superior e a população militar.

Relativamente ao tratamento, é proposta a definição técnica e consensual de tempos de espera clinicamente aceitáveis para admissões, consultas e programas de tratamento das toxicodependências, o que deverá ser concretizado até ao final do ano.

A reinserção dos toxicodependentes é também abordada pelo documento, que propõe, entre várias medidas, a criação de uma bolsa de empregadores, “de forma a promover a integração de indivíduos no mercado de trabalho” e de um programa plurianual para financiar projectos nesta área.

As acções de luta contra a droga estão igualmente contempladas no Plano de Acção, pretendendo-se “consolidar e reforçar as estruturas de prevenção e investigação do tráfico internacional de estupefacientes instaladas nos aeroportos nacionais”.

O documento propõe ainda a criação de uma base de dados com “informação detalhada” sobre os projectos desenvolvidos pelos vários serviços e ministérios e, como forma de “fortalecer a participação de Portugal” nos encontros internacionais sobre o tema, aponta-se a organização de uma conferência internacional sobre drogas no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

Fonte: JN

Consumo desce na escola

Heroína continua a manchar os números da droga.

O consumo de drogas está a diminuir entre os mais jovens, apesar do aumento registado relativamente à população em geral. Um aumento que o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) atribui a um efeito estatístico que acaba por cobrir a tendência de estabilização do fenómeno em Portugal.

Estas conclusões derivam do Inquérito em Meio Escolar 2006 e do Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoactivas na População Portuguesa 2007, ontem apresentado em Évora pelo presidente do IDT, João Goulão, e pelo secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro.

Comparando com os dados do último inquérito nacional, em 2001, a percentagem de pessoas que já consumiu droga pelo menos uma vez ao longo da vida subiu de 7,8% para 11,7%. Isto porque aqueles que, em 2001, tinham mais de 58 anos e revelavam um consumo zero – o que fazia descer a média de consumo – saíram do âmbito do inquérito. Trata-se de uma geração que, na sua juventude, não teve acesso a uma cultura de consumo de drogas. Em contrapartida, os que na altura tinham entre nove e 14 anos “e já correspondem a uma geração com mais probabilidade de acesso” a essa cultura entraram para a amostra e fizeram subir a média.

Estes números não se reflectem, contudo, nos consumos regulares e recentes, esses em estabilização para quase todas as substâncias, tanto na escola como na população em geral.

No entanto, os inquéritos revelam uma diminuição do consumo entre os mais novos em meio escolar, a prevalência (pelo menos um consumo ao longo da vida) desceu de 14% para 11% no 3º ciclo do básico e de 28% para 22% no secundário. Apenas subiu a experiência (mas não o consumo regular) com inalantes/solventes (cola e gasolina), provavelmente por serem “de fácil acesso”, analisa João Goulão. No que toca à população em geral, “há um decréscimo da prevalência do consumo de droga entre os 15 e os 19 anos”, contra um aumento “relevante” entre 20 e 24 anos – o tal grupo que junta os que eram mais novos em 2001.

São números que, para o IDT, apontam uma tendência que, a confirmar-se nos próximos anos, “significará que 2000-2001 pode ter sido o ponto de viragem na evolução do fenómeno do consumo de drogas, por corresponder à geração de jovens (então no grupo etário dos 15-24 anos e actualmente no grupo dos 20-34 anos) onde, até agora, foram encontradas as maiores percentagens de consumidores”.

Avaliando os consumos recentes ou regulares (últimos 12 meses e últimos 30 dias), são assumidos por 2,5% da população, exactamente como aconteceu em 2001. Subiu, contudo, o consumo regular da cocaína (0,1% para 0,3%) e da heroína (0,1% para 0,2%).

Portugal mantém-se ainda assim, nos valores de consumo mais baixos da Europa. Já a prevalência do uso de heroína em Portugal (que subiu de 0,7% para 1,1% da população assumindo que a experimentou pelo menos uma vez) continua a ser das mais elevadas na Europa. Apesar de reconhecer um padrão de consumo “exagerado”, Manuel Pizarro fez questão de desmontar o dado a melhoria do tratamento dos consumidores desta droga evitou infecções e mortes prematuras, uma sobrevivência que “aumenta o índice de prevalência”.

A cannabis continua à frente das substâncias consumidas – o seu uso pelo menos uma vez ao longo da vida subiu de 7,6% para 11,7% na população em geral (numa amostra de 15 mil inquiridos); no entanto, o consumo regular manteve-se nos 2,4% dos inquiridos.

* Com agência Lusa