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Máquinas de troca de seringas nas prisões

Drogas em geral, Geral, Prevenção, Saúde, Toxicodependência Abril 27th, 2008

O Plano de Acção contra as Drogas e Toxicodependências foi aprovado hoje em Conselho de Ministros, em simultâneo com o Plano Nacional contra a Droga e as Toxicodependências.
Entre as medidas contra as toxicodependências aprovadas está prevista a colocação de máquinas para a troca de seringas usadas por material novo nas prisões e a definição de tempos de espera clinicamente aceitáveis para entrada em programas de tratamento.

No campo da redução de risco, o Plano de Acção, a que a Agência Lusa teve acesso, prevê a identificação de locais prioritários para a instalação de salas de injecção assistida (também conhecidas por ‘salas de chuto’), que deverão ser criadas até 2008, dando cumprimento a legislação de 2001.

É também avançada a intenção de criar um sistema de auditoria técnico-financeira, “interna e externa”, aos programas apoiados pelo Instituto da Droga e da Toxicodependência.

O plano de acção contra a Droga e Toxicodependências prevê também a realização de estudos sobre o consumo de substâncias ilícitas, nomeadamente entre os estudantes do ensino superior e a população militar.

Relativamente ao tratamento, é proposta a definição técnica e consensual de tempos de espera clinicamente aceitáveis para admissões, consultas e programas de tratamento das toxicodependências, o que deverá ser concretizado até ao final do ano.

A reinserção dos toxicodependentes é também abordada pelo documento, que propõe, entre várias medidas, a criação de uma bolsa de empregadores, “de forma a promover a integração de indivíduos no mercado de trabalho” e de um programa plurianual para financiar projectos nesta área.

As acções de luta contra a droga estão igualmente contempladas no Plano de Acção, pretendendo-se “consolidar e reforçar as estruturas de prevenção e investigação do tráfico internacional de estupefacientes instaladas nos aeroportos nacionais”.

O documento propõe ainda a criação de uma base de dados com “informação detalhada” sobre os projectos desenvolvidos pelos vários serviços e ministérios e, como forma de “fortalecer a participação de Portugal” nos encontros internacionais sobre o tema, aponta-se a organização de uma conferência internacional sobre drogas no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia.

Fonte: JN

Consumo desce na escola

Drogas em geral, Geral, Prevenção, Saúde, Sociedade, Toxicodependência Abril 27th, 2008

Heroína continua a manchar os números da droga.

O consumo de drogas está a diminuir entre os mais jovens, apesar do aumento registado relativamente à população em geral. Um aumento que o Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT) atribui a um efeito estatístico que acaba por cobrir a tendência de estabilização do fenómeno em Portugal.

Estas conclusões derivam do Inquérito em Meio Escolar 2006 e do Inquérito Nacional ao Consumo de Substâncias Psicoactivas na População Portuguesa 2007, ontem apresentado em Évora pelo presidente do IDT, João Goulão, e pelo secretário de Estado da Saúde Manuel Pizarro.

Comparando com os dados do último inquérito nacional, em 2001, a percentagem de pessoas que já consumiu droga pelo menos uma vez ao longo da vida subiu de 7,8% para 11,7%. Isto porque aqueles que, em 2001, tinham mais de 58 anos e revelavam um consumo zero – o que fazia descer a média de consumo – saíram do âmbito do inquérito. Trata-se de uma geração que, na sua juventude, não teve acesso a uma cultura de consumo de drogas. Em contrapartida, os que na altura tinham entre nove e 14 anos “e já correspondem a uma geração com mais probabilidade de acesso” a essa cultura entraram para a amostra e fizeram subir a média.

Estes números não se reflectem, contudo, nos consumos regulares e recentes, esses em estabilização para quase todas as substâncias, tanto na escola como na população em geral.

No entanto, os inquéritos revelam uma diminuição do consumo entre os mais novos em meio escolar, a prevalência (pelo menos um consumo ao longo da vida) desceu de 14% para 11% no 3º ciclo do básico e de 28% para 22% no secundário. Apenas subiu a experiência (mas não o consumo regular) com inalantes/solventes (cola e gasolina), provavelmente por serem “de fácil acesso”, analisa João Goulão. No que toca à população em geral, “há um decréscimo da prevalência do consumo de droga entre os 15 e os 19 anos”, contra um aumento “relevante” entre 20 e 24 anos – o tal grupo que junta os que eram mais novos em 2001.

São números que, para o IDT, apontam uma tendência que, a confirmar-se nos próximos anos, “significará que 2000-2001 pode ter sido o ponto de viragem na evolução do fenómeno do consumo de drogas, por corresponder à geração de jovens (então no grupo etário dos 15-24 anos e actualmente no grupo dos 20-34 anos) onde, até agora, foram encontradas as maiores percentagens de consumidores”.

Avaliando os consumos recentes ou regulares (últimos 12 meses e últimos 30 dias), são assumidos por 2,5% da população, exactamente como aconteceu em 2001. Subiu, contudo, o consumo regular da cocaína (0,1% para 0,3%) e da heroína (0,1% para 0,2%).

Portugal mantém-se ainda assim, nos valores de consumo mais baixos da Europa. Já a prevalência do uso de heroína em Portugal (que subiu de 0,7% para 1,1% da população assumindo que a experimentou pelo menos uma vez) continua a ser das mais elevadas na Europa. Apesar de reconhecer um padrão de consumo “exagerado”, Manuel Pizarro fez questão de desmontar o dado a melhoria do tratamento dos consumidores desta droga evitou infecções e mortes prematuras, uma sobrevivência que “aumenta o índice de prevalência”.

A cannabis continua à frente das substâncias consumidas – o seu uso pelo menos uma vez ao longo da vida subiu de 7,6% para 11,7% na população em geral (numa amostra de 15 mil inquiridos); no entanto, o consumo regular manteve-se nos 2,4% dos inquiridos.

* Com agência Lusa

Doenças psicológicas são influenciadas pela cultura e a sociedade

Drogas em geral, Geral, Prevenção, Saúde, Sociedade, Toxicodependência Abril 17th, 2008

Um número considerável de doenças de foro orgânico são influenciadas pelo meio e pelo estilo de vida. É o caso das patologias cardiovasculares. Da mesma maneira, muitos sofrimentos psicológicos estão relacionados com a sociedade, a cultura e a própria época histórica.

Sabe-se, por exemplo, que a depressão é sobretudo uma doença das sociedades industrializadas. Mesmo quando ela ocorre em sociedades mais tradicionais e afastadas dos grandes centros os sintomas apresentam-se diferentes, com manifestações mais físicas do que emocionais.

O mesmo se passa com a vulgar ansiedade. Enquanto que nos países industrializados as suas manifestações são mais psíquicas e intelectuais, nas regiões menos desenvolvidas e rurais os sintomas são de natureza mais somática (física) e comportamental.

Acontece que várias perturbações psicológicas que tanto afectam os cidadãos do chamado “primeiro mundo” – fortemente industrializado, urbanizado e competitivo – são praticamente desconhecidas entre os povos que habitam regiões subdesenvolvidas, onde a agricultura e a pastorícia constituem ainda as principais actividades económicas. A anorexia nervosa, o transtorno obsessivo-compulsivo e a doença bipolar (doença de tipo depressivo) estão entre as perturbações mentais praticamente desconhecidas das sociedades tradicionais.

A influência da cultura

A manifestação e o significado de muitas perturbações de índole psicológica diferem de cultura para cultura. A explicação reside no facto das chamadas “experiências de vida” – que variam não apenas de pessoa para pessoa mas também de sociedade para sociedade – serem fortemente influenciadas pela época histórica, a religião, as crenças, o contexto sócio-económico e o estilo de vida.

Entre outros factores a serem levados em conta está o meio familiar. Nas sociedades ocidentais predomina a família nuclear, com poucos filhos, uma separação nítida entre a vida privada e a vida pública e um menor peso da religião e da tradição. Desde muito novos, os habitantes dos grandes centros adoptam estilos de vida marcados pela competição, a conquista do sucesso e a posse de bens materiais.

Já as sociedades rurais estão imersas em tradições milenares onde as crenças religiosas têm um papel muito forte influenciando não apenas as decisões pessoais como as de natureza comunitária e política. As famílias são extensas, a escolaridade é baixa e os sentimentos de competitividade e de conquista de sucesso praticamente não existem.

Um exemplo muito interessante do papel que o meio e a cultura desempenham na forma como as doenças psicológicas se exprimem é o da esquizofrenia, uma perturbação mental que no Ocidente penaliza cerca de 1% da população. A esquizofrenia manifesta-se, entre muitos outros sintomas, através de alucinações, embotamento afectivo e ideias delirantes. Todavia, há geralmente diferenças de padrão conforme ela ocorra num indivíduo de uma cidade industrializada ou num habitante das sociedades tradicionais. Por exemplo, nos doentes esquizofrénicos das sociedade rurais os temas mais correntes das ideias delirantes são anomalias corporais e visões de antepassados e “espíritos”.

Muitas outras manifestações patológicas, associadas a enfermidades mentais, exprimem-se de forma distinta de cultura para cultura. È o caso de uma psicose paranóide típica dos índios Algonkians do Canadá que se manifesta através da crença e de medo intenso de se ser transformado em canibal devido a um espírito malígno mítico chamado “windigo” que se apodera do doente.

Outra manifestação patológica, tipicamente masculina, é a chamada “koro” que é frequente em muitas regiões do sudeste asiático. O “koro” é desencadeado pelo medo de que o pénis possa encolher, retrair-se para dentro do corpo e causar a morte da vítima. É uma forma tipicamente local de hipocondria.

Noutros casos, parecem misturar-se sintomas de diferentes patologias quando o problema é avaliado sob a perspectiva da medicina ocidental. Isto passa-se, por exemplo, com o que na Malásia é conhecido como “amok”. Consiste numa perturbação grave em que a vítima entra inicialmente num estado de recolhimento e tristeza profunda durante horas ou alguns dias. Segue-se depois uma fase de intensa agitação motora e agressividade que faz o doente correr como um louco destruindo tudo por onde passa, podendo, inclusivamente, matar pessoas. A crise termina quando o doente cai exausto. Geralmente, não se recorda do que lhe aconteceu.

Outras vezes, o imaginário e a crença misturam-se com a realidade. É o que se passa com o “tangolo-mango”, uma perturbação espiritual e psicológica pretensamente criada por feitiçaria e que se manifesta principalmente no nordeste brasileiro nas populações rurais. Expressa-se por um sentimento de indisposição súbita e incurável que pode conduzir à morte da vítima por definhamento gradual. O “tangolo-mango” terá sido levado de África pelos primeiros escravos.

Emigração e problemas de adaptação

No mundo actual, à medida que se esbatem as barreiras culturais entre os povos, as patologias mentais associadas ao meio, à educação e ao estilo de vida tendem a exprimir-se de forma cada vez mais semelhante. Por outro lado, sempre que os habitantes das sociedades rurais se transferem para as cidades e os grandes centros industriais aumenta o número de perturbações devidas à dificuldade de adaptação aos novos estilos e ritmos de vida. O chamado “brain fag”, por exemplo, que se caracteriza por cansaço crónico, dores de cabeça e problemas cognitivos vários (dificuldades de concentração, problemas de memória, etc.) afecta milhões de habitantes da África que habitam os extensos bairros de lata das grandes cidades.

Por sua vez, os habitantes das grandes cidades da Ásia e do Ocidente, enfrentam cada vez mais perturbações de índole psicológica e comportamental devidas ao stress, à fadiga, à competitividade extrema, ao excesso de estimulação, às drogas, à solidão urbana, aos acidentes e a várias doenças degenerativas que podem afectar o cérebro. O estilo de vida complexo e agitado das sociedades industrializadas desafia a estabilidade mental que é condição indispensável de saúde.

Texto: Nelson S. Lima

“Legalizar as drogas é inevitável no futuro”

Doenças, Drogas em geral, Geral, Prevenção, Saúde, Toxicodependência Abril 17th, 2008

A troca de seringas nas prisões é “urgente”, a prevenção não deve ser moralista e a sociedade livre de drogas é uma utopia.

Há dez anos, ‘a droga’ era o inimigo público número um dos portugueses, no discurso político e nas sondagens. Agora quase desapareceu. O que é que se passou?

As estratégias de redução de danos, embora não tenham sido levadas tão longe quanto deviam, vieram diminuir a visibilidade pública e o sentimento de ameaça que a droga constituía para os portugueses. E trouxeram uma maior oferta de tratamento, a diminuição da criminalidade associada à droga. E também as terapêuticas de substituição opiácea, como a metadona.

Faz-lhe confusão que uma pessoa tome metadona toda a vida?

Penso que a todo o momento podemos repensar a terapêutica e a saída. Eventualmente na actual prática essa questão não está tão presente, talvez por inércia.

Tem-se falado muito – Jorge Sampaio já o disse várias vezes – na necessidade de um novo paradigma para este combate, em substituição do paradigma proibicionista. O Parlamento Europeu aprovou um relatório nesse sentido Admitir que não é possível uma “sociedade livre de drogas” e que é preciso saber viver com elas. Que pensa disso?

As estratégias de redução de danos têm a ver com essa visão pragmática tentar minimizar os efeitos nefastos das drogas nos indivíduos e na sociedade. O proibicionismo conduziu a situações muito complicadas. Mesmo quando um consumidor não quer ou não consegue suspender o consumo, continua a merecer investimento.

Há quem defenda que o melhor caminho passa pela legalização das drogas agora ilícitas. Qual é a sua opinião?

Penso que é um caminho que vamos seguir, no futuro. O novo paradigma, se calhar, passa por aí, pela legalização e regulamentação da venda e consumo das drogas. Creio que é inevitável, mas é algo que terá de ser feito em conjunto por vários países. Este é um caminho feito por pequenos passos. A descriminalização, feita por iniciativa do actual primeiro-ministro em 1999, não teria sido possível dez anos antes e depois foi aceite de forma pacífica. Nesta fase, devemos consolidar o que temos.

E quais as suas prioridades?

Penso que é necessário elaborar um plano com horizonte 2012, mas não é necessário inventar a roda. Ela já foi inventada. É preciso cumprir a anterior estratégia [elaborada pelo Governo de Guterres]. Muito ficou por fazer. Desde logo, na prevenção primária. É preciso reformulá-la de modo a torná-la mais realista, mais pró-activa, mais desenvolvida nos meios reais. Outra é sanar as carências a nível do tratamento ainda há pessoas em lista de espera em Sintra, Setúbal… Não temos de construir novos CAT, mas criar respostas mais ligeiras, por exemplo nos centros de saúde, criar equipas móveis, capazes de avançar, por exemplo, para o interior. E temos de rever os planos municipais de combate à toxicodependência, uma das grandes prioridades do Governo anterior, que usam recursos do IDT para actividades que não me parecem ser a nossa vocação.

O anterior Governo afirmou apostar na prevenção, mas deixou cair a educação para a saúde nas escolas…

É preciso apostar nessa área com maior envolvimento dos destinatários. Ensinar os jovens não só a evitar os riscos, mas também a enfrentá-los. Gostava de ver equipas de rua a actuar em meios de diversão nocturna. O que já aconteceu, mas acabou por deixar de se fazer por falta de financiamento.

Defende a disponibilização de testes às ‘pastilhas’, como se faz na Holanda?

Sim, desde que isso seja aproveitado para fazer prevenção, falando acerca da efectiva perigosidade das substâncias (lícitas e ilícitas), informando as pessoas para que possam fazer escolhas, enquanto funciona também como redução de danos, já que pode impedir a toma de pastilhas ‘maradas’… Claro que as equipas que fazem isso têm de ser constituídas por pessoas com características especiais, com capacidade de empatia, sem a atitude de técnicos sapientes nem moralismos.

Em 2002, quando saiu da presidência do Serviço de Prevenção e tratamento da Toxicodependência (SPTT), disse que uma das razões do incumprimento da estratégia era a falta de financiamento. Deveria ter havido 160 milhões de euros para este combate em 2004… Já sabe com quanto conta?

Estou certo que estamos muito longe desse valor, embora não saiba qual o orçamento disponível. Claro que assim não era possível cumprir a estratégia, e isso devia ter sido tido em conta na avaliação que foi levada a cabo pelo Instituto Nacional de Administração. A estratégia apontava para um serviço interministerial junto do primeiro–ministro, com poder para tomar determinadas medidas. Muito disso ficou pelo caminho com a fusão entre o SPTT e o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência.

Que criticou na altura, mas a cuja entidade daí resultante vem agora a presidir. É uma ironia.

É. Mas perdeu-se muita energia na fusão, não se pode voltar atrás.

As Comissões de Dissuasão (CDT) foram uma das grandes novidades, aliás estreia mundial, da estratégia. Integrou uma grupo que avaliou o seu desempenho. Qual a sua percepção do funcionamento das CDT?

Penso que foram sobredimensionadas. São estruturas demasiado pesadas, burocráticas. Têm de ser flexibilizadas, diminuindo o peso de dirigentes e dando relevo aos técnicos. É necessário articulá-las mais com o tratamento, com o acompanhamento dos consumidores…

As CDT lidam sobretudo com consumidores de haxixe. O que é que se faz a um consumidor de haxixe?

Para a maioria dos jovens, o haxixe é visto como uma substância sem risco, e isso não é verdade. É preciso informá-los disso.

Que riscos são esses?

Embora não esteja estabelecido um nexo de causalidade entre a esquizofrenia, surtos psicóticos e o consumo da substância, há uma incidência mais elevada entre os consumidores. Existe o síndroma amotivacional nos utilizadores mais frequentes, e há um risco maior para os pulmões que o causado pelo tabaco. Um charro equivale a um maço de tabaco.

Como é que explica a um jovem que essa substância é proibida e não deve ser consumida porque tem estes e estes riscos quando o álcool e o tabaco não são proibidos e têm riscos tão grandes ou maiores?

Concordo que é difícil explicar. Todas as sociedades têm as suas drogas. A nossa droga tradicional é o álcool, e também o tabaco. Mas se calhar temos de pensar que o haxixe também já está incorporado na nossa cultura, é corrente há 30 anos. Esses miúdos se calhar viram os pais, os avós, a usá-lo. E isto tem de ser incorporado no discurso. Não significa que tenhamos de nivelar por baixo. Temos é de nos bater por diminuir os consumos de tabaco, de álcool e haxixe. Criar estilos de vida saudáveis.

Os centros privados de combate ao tabagismo têm muita procura. Não deveria o Estado, que arrecada impostos com esse consumo, actuar nessa área

Sim. Mas não através do IDT, porque vejo no hábito tabágico uma dependência e não uma toxicodependência.

O anterior ministro falou de incluir o combate ao alcoolismo nas atribuições do IDT. Os Centros de Atendimento a Toxicodependentes vão passar a atender alcoólicos?

Não concordo com a atribuição de competências ao IDT sobre o alcoolismo tout court. Na prática, os CAT já trabalham nessa área, porque muitos toxicodependentes são policonsumidores. Teremos dificuldade em acolher todos os alcoólicos.

Aloca-se muito mais dinheiro ao combate às drogas ilícitas que ao álcool, cuja dependência afecta muito mais gente – as estimativas apontam para um milhão. Parece-lhe justo?

Alguma da nossa estrutura pode ser envolvida também nesse combate. Pode haver alguma afectação de recursos. A rede de comunidades terapêuticas convencionadas, neste momento tida como excessiva em relação às necessidades, pode reconverter-se para o combate ao alcoolismo. E não só temos uma comunidade de dependentes de heroína cada vez mais velhos e mais doentes, alguns ficam encalhados no sistema, pendurados na assistência, sem alternativa de vida. É preciso encontrar uma resposta para este tipo de pessoas. E acho que algumas dessas comunidades terapêuticas podem transformar-se em unidades residenciais de longa duração, com cuidados de saúde…

Asilos?

É uma palavra um pouco forte. Mas é preciso encontrar uma solução para esta faixa muito pequena de pessoas.

Fonte: DN

Tabagismo

Geral, Prevenção, Saúde, Tabaco Março 28th, 2008

Toxicodependência

A toxicodependência é um fenómeno que, de forma dramática tem marcado os últimos cinquenta anos. A dependência decorre dos efeitos de uma substância sobre o organismo, o que vai provocar uma vontade irresistível de voltar a consumir. As dependências física e psicológica andam habitualmente associadas. Uma vez instalado o hábito de consumir determinada substância, torna-se difícil abandoná-lo definitivamente. É um problema que não acontece só aos outros. A prevenção é a grande aposta para evitar que te confrontes com este problema. A primeira e melhor forma de prevenir é conversar com as pessoas que te rodeiam, os pais são muitas vezes os primeiros agentes de prevenção do consumo de drogas. São os pais que, melhor do que ninguém, conhecem os seus filhos e os podem ajudar. Além disso, maioritariamente os pais são os primeiros modelos, os exemplos a seguir pelos mais novos. São várias as causas que podem levar à toxicodependência. Estudos recentes apontam os factores fundamentais a curiosidade e o gosto do risco, próprios da adolescência e juventude. Outras vezes é a pressão dos amigos que vêem no consumo de drogas uma forma de se afirmar e de ser adulto. A prevenção não termina com a adolescência. A prevenção faz-se todos os dias. A prevenção começa no diálogo com os teus pais, os teus amigos, o teu parceiro(a), os teus colegas, os teus professores…

Tabagismo

Tabagismo significa abuso de tabaco. É o vício de fumar regularmente um número considerável de cigarros, cigarrilhas, charutos ou tabaco de cachimbo. Fumar predispõe para o cancro do pulmão e outros, bronquite e enfisema pulmonar, úlcera gastro-duodenal, doenças cardio-vasculares e acidentes vasculares cerebrais. As mulheres fumadoras grávidas podem prejudicar o desenvolvimento e a viabilidade do feto. Os fumadores também prejudicam a saúde dos não fumadores junto de quem vivem, que acabam por ser fumadores contra vontade (“fumadores passivos”).

Efeitos do tabaco no ser humano

* No aparelho respiratório, 90% dos cancros são devidos ao tabaco.
* No aparelho circulatório, a angina de peito, o enfarte do miocárdio, a hipertensão arterial e o acidente vascular cerebral são algumas das doenças mais frequentes.
* Na área oto-rino-laringológica, 65% dos cancros da boca são devidos ao tabaco bem como a diminuição do olfacto e tendência para rouquidão.
* No aparelho urinário, o tabaco pode provocar cancro da bexiga.
* Ao nível sanguíneo, provoca alterações da coagulação.
* Na mulher, o tabaco aumenta o risco de cancro do colo do útero e em combinação com a toma da pílula contraceptiva, aumenta o risco de trombose venosa.
* No recém-nascido, o tabagismo da mãe aumenta o risco de malformações, parto prematuro, baixo peso ao nascer e síndrome da morte súbita.

Calcula-se que cerca de dois milhões e meio de pessoas morrem anualmente em todo o mundo, devido ao tabaco. Por isso, a Organização Mundial de Saúde propõe a luta, por todos os meios, contra esta autêntica epidemia dos tempos modernos.

Tratamento

O PROJECTO VIDA é o programa nacional de combate à droga. Promove:

* a prevenção do consumo de drogas;
* o tratamento e reinserção social dos toxicodependentes;
* o combate ao tráfego de drogas.

A Linha Vida, integrada no Projecto Vida, é um serviço telefónico, gratuito e confidencial, à tua disposição para te informar e aconselhar sobre problemas de toxicodependência. Funciona de 2ª a 6ª feira, das 10h às 24h, pelo tel. 1414. O PROJECTO VIDA também tem, para quem deseja aconselhar-se por escrito, o e-mail linhavida.lx@ipdt.pt ou o site www.projectovida.pt (clicar em “contacto”). Existem muitas outras instituições vocacionadas para a prevenção e tratamento da toxicodependência. Se tens problemas neste domínio:

* fala com os pais;
* fala com o teu namorado(a);
* fala com o teu director de turma, se estiveres a frequentar a escola;
* consulta o teu médico de família;
* procura um Centro de Atendimento de Toxicodependentes (CAT);
* procura uma ajuda especializada: um psicólogo ou um psiquiatra.

Em Portugal existe o Conselho de Prevenção do Tabagismo, situado na Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 844 60 55 e o fax 21 846 42 12. É um órgão de consulta e acção pedagógica dependente do Ministério da Saúde. Compete-lhe a intervenção junto de entidades públicas ou privadas no âmbito do planeamento, coordenação e dinamização das acções de luta contra o tabagismo, colaborando estreitamente com organismos internacionais.

A Coligação das ONG Portuguesas de Prevenção do Tabagismo (privado), Av. dos E.U.A., 53 D 4º, CP-1700-165 Lisboa, tel 21 8464219 e o fax 21 8464212; e-mail: luis.reis.lopes@mail.telepac.pt.

O Gabinete de Dependência Química (privado), na Rua Epifânio Dias, 44, CP-1700-161 Lisboa, tel 21 842 16 70 e o fax 21 842 16 79; e-mail: gdq@mail.telepac.pt.

As doenças causadas pelo consumo exagerado e prolongado do tabaco – incluindo a intoxicação tabágica – são tratadas nos centros de saúde, hospitais e clínicas (públicos e privados) de todo o país. O melhor mesmo é tentares a desabituação, para deixares definitivamente de fumar!

Drogas

Geral, Prevenção, Saúde Março 28th, 2008

Definição da natureza das drogas psicoactivas
Uma droga psicoactiva é qualquer substância que altera o teu humor (por exemplo, que te torna feliz, triste, nervoso, eufórico, deprimido, excitado, etc.). Altera a tua percepção do ambiente externo (por exemplo, o tempo, a localização, as condições, etc), ou altera a tua percepção do ambiente interno (por exemplo, sonhos, imagens, alucinações, etc.). Por exemplo, após usares uma substância psicoactiva, podes sentir-te eufórico, estares inconsciente da passagem do tempo e podes focalizar-te em fantasias ou imagens. O uso destas substâncias pode originar sérios problemas, assim como levar-te a ter comportamentos que de forma consciente não desejavas, pelo que deves estar informado(a) e prevenires-te!

Depressores
Os depressores reduzem a estimulação fisiológica, reduzem a tensão psicológica e podem levar-te a relaxar. Há três tipos de depressores: o álcool, os barbitúricos e as benzodiazepinas. O efeito enaltecedor do álcool é devido ao facto dele actuar ao nível dos centros inibidores do cérebro, fazendo com que te tornes menos inibido e mais expansivo. No entanto, à medida que o nível de intoxicação aumenta, o efeito depressor torna-se mais difundido, reduzindo a actividade nas áreas do cérebro que são responsáveis pela estimulação. Nesta altura podes sentir-te sedado e com sono. Além destes efeitos, o consumo excessivo de álcool afecta a visão e o equilíbrio, para além de reduzir o controle muscular, de forma que a fala torna-se enrolada e a coordenação motora reduzida. A concentração e a capacidade de julgamento também são afectadas, pelo que do ponto de vista pessoal e social podes ter atitudes que vão contra os teus valores.
Os barbitúricos, que são tranquilizantes, reduzem a estimulação. Em consumos ligeiros, os barbitúricos provocam relaxamento, a sensação de “cabeça leve” e uma diminuição da capacidade motora. Em consumos elevados provocam fala enrolada, diminuição da coordenação motora, ligeira euforia e sono. Estas substâncias são rapidamente absorvidas pelo fluxo sanguíneo a partir do sistema digestivo e passam depois muito rapidamente para o cérebro, local onde exercem os seus efeitos.
O uso prolongado e incorrecto de barbitúricos pode resultar em graves sintomas de abstinência. Os sintomas incluem habitualmente tensão, tremores, perda de controle motor, náusea, delírio, alucinações visuais e auditivas.
Um problema muito sério associado ao consumo e barbitúricos é a morte devida a overdose acidental. A possibilidade de ocorrer uma overdose e a morte é maior quando os barbitúricos são tomados com álcool, uma vez que os dois depressores “trabalham” juntos para suprimir a respiração. As benzodiazepinas são a última geração de tranquilizantes, são habitualmente utilizadas para reduzir tensões diárias e auxiliar o sono.
Os barbitúricos e as benzodiazepinas são bastante semelhantes em vários aspectos, mas os barbitúricos são mais poderosos e tendem a ser usados de forma incorrecta e a resultar em dependência.

Narcóticos
O termo “narcótico” é frequentemente usado para referir drogas ilegais, mas tecnicamente refere-se a uma classe específica de drogas derivadas do ópio. Os narcóticos exercem o efeito de entorpecer os sentidos e produzir um estado semelhante ao sono. No entanto, o consumo de doses altas pode causar um grau prolongado de relaxamento que pode levar à paragem respiratória e, como consequência, à morte.
Os narcóticos incluem o ópio, a morfina e a heroína. O ópio é a seiva da planta papoula, e o nome “opium” tem origem grega, cujo significado é “seiva”. Um dos usos mais notórios ocorreu nas casas de ópio chinesas, onde era fumado em cachimbos e os fumantes permaneciam dias num estado de relaxamento.
A morfina é uma das substâncias activas do ópio. É dele extraída e usada como uma droga em si mesma. A morfina é dissolvida em líquido e injectada de seguida na corrente sanguínea. Depois de um breve “high” ela proporciona um estado leve de relaxamento.
O nome “morfina” vem de Morfeu, o deus grego do sono. A morfina e outros narcóticos causam sensações de sonolência, mas, ao contrário dos depressores, na realidade não aumentam o sono e podem mesmo reduzi-lo.
A codeína é outra susbtância activa, porém menos poderosa que o ópio, a qual é utilizada sozinha. É amplamente usada como analgésico e encontrada em vários medicamentos para a dor e a tosse. A heroína é também um derivado do ópio, mas é uma droga semi-sintética. O nome heroína foi derivado de uma palavra em alemão significando “poder concentrado”, o que de facto tem.
A heroína é em geral usada em forma de pó, misturada com tabaco e fumada, inalada directamente pela narinas ou dissolvida e injectada directamente nas veias. A heroína pode causar um “high” que os consumidores dizem ser semelhante a um orgasmo sexual, que dura aproximadamente 60 segundos e é seguido por um período de quatro a seis horas de um género de entorpecimento.
O uso prolongado de narcóticos conduz à dependência e a graves problemas de abstinência. O processo de abstinência pode ser doloroso e violento, habitualmente existe uma inquietação geral, calafrios, sudação, dificuldade em respirar, entre outros. Pode ainda existir uma perda de controle motor, tiques nervosos, tremores, cãimbras musculares dolorosas, diarreia, vómito e suor. Além da abstinência, o uso de opiáceos, em particular da heroína, pode ser extremamente perigoso, tanto a nível físico como a nível psicológico. A consequência física mais extrema do uso de heroína é a morte.

Estimulantes
Os estimulantes provocam estados de euforia que são geralmente referidos como “highs“. Provocam estes efeitos porque aumentam os níveis de determinados neurotransmissores e, desta forma, aumentam o nível de actividade neurológica do sistema límbico, um sistema que é responsável pelo prazer.
Os dois estimulantes mais poderosos são as anfetaminas e a cocaína, mas também poderiam incluír a cafeína e a nicotina.
As anfetaminas são habitualmente tomadas oralmente, resultando dessa toma sentimentos de bem estar, alegria, vigor e redução de fadiga. Porque as anfetaminas são absorvidas lentamente a partir do sistema digestivo quando são tomadas por via oral, os efeitos surgem lentamente mas duram entre três a seis horas.
O uso prolongado de anfetaminas conduz a sintomas de abstinência como a depressão, abatimento e fadiga. Além dos problemas de abstinência, o uso destas substâncias apresenta três consequências sérias. Em doses elevadas podem provocar a rotura de veias no cérebro (devido a aumento drástico da pressão sanguínea), provocando danos cerebrais e consequentemente a morte. Em doses elevadas podem provocar psicoses por anfetaminas (transtornos mentais). O efeito de altos níveis de anfetaminas pode fazer com que as pessoas se tornem perigosas para si próprias e para os outros (suícida/homicida). A cocaína é o outro estimulante frequentemente utilizado. Os efeitos da cocaína sobre o humor são semelhantes aos das anfetaminas, todavia, são mais intensos. A cocaína causa um intenso “high” caracterizado por sentimentos de animação, energia, bem-estar, autoconfiança “estar no topo do mundo”.
Uma vez dependentes, os consumidores farão qualquer coisa para obter cocaína e estima-se que uma percentagem de crimes violentos estão associados a esta droga. Além da dependência e da depressão, há estudos que indicam que em algumas pessoas o uso da cocaína pode induzir uma psicose que geralmente envolve delírios paranóides.
O uso da cocaína pode induzir graves riscos médicos, pois pode bloquear a condução de impulsos nervosos, o que pode ser fatal. Um outro problema associado à inalação da cocaína, é o dano severo nas mucosas nasais. A cafeína é o estimulante mais forte de um determinado grupo de drogas, denominado metilxantinas. A cafeína existe habitualmente no café e no chá e também é acrescentada muitas vezes em refrigerantes e em alguns medicamentos.
A cafeína no café e no chá é prontamente absorvida pelo sistema digestivo e atinge níveis sanguíneos máximos em 30 a 60 minutos. A ingestão de altos níveis de cafeína (500 a 800mg diários) resulta em agitação, tensão, irritabilidade, insónia, perda de apetite, frequência cardíaca aumentada, dores de cabeça, etc.
Em resumo, resulta nos sintomas de uma perturbação da ansiedade, os sintomas de abstinência ocorrem em pessoas que bebem cerca de cinco chávenas por dia. Os sintomas são. em geral, tensão, agitação motora e tremores musculares.
A nicotina é derivada do tabaco e a maioria das pessoas obtém a nicotina a partir do cigarro. As pessoas que fumam, fazem-no muitas vezes para aumentar a sua estimulação (depois de uma refeição ou durante uma pausa) e também quando estão tensas e desejam reduzir a ansiedade (durante períodos de stress).
A estimulação produzida pela nicotina resulta em tremores musculares, aumento da frequência cardíaca, aumento da pressão sanguínea e contrações das veias da pele.
Os sintomas de abstinência incluem irritabilidade, incapacidade de concentração, tonturas, náusea, tremores musculares, dores de cabeça, insónia e um aumento do apetite. Os sintomas de abstinência geralmente duram menos de seis meses, mas em algumas pessoas podem persistir por anos.

Alucinógeneos
O efeito dos alucinógenos é distorcer experiências sensoriais, ou seja, distorcer a realidade. Enquanto a pessoa está sob o efeito de alucinógenos, o que vê ou ouve é alterado, mudado ou deformado de modo a parecer diferente. Tais distorções podem ser chamadas de alucinações (experiências de percepção que não têm uma base na realidade), daí o termo alucinógeno.
Alguns alucinógeneos são o cannabis (porque altera experiências sensoriais e cognitivas), o LSD e a mescalina.
Cannabis, maconha, haxixe e hash oil, todos vêm do cãnhamo cannabis sativa, o nome para a droga cannabis é subjacente. Maconha é simplesmente as folhas secas da planta cannabis, e é a forma mais comum na qual é usada. Habitualmente é fumado. A cannabis pode afectar o humor, experiências sensoriais e o funcionamento cognitivo, mas os seus efeitos variam de pessoa para pessoa. O “high” obtido do cannabis envolve sentimentos de euforia ligeira e sentimentos de alegria. Durante o “high” tudo parece engraçado. A cannabis geralmente proporciona uma mudança de humor positiva, mas, às vezes, resulta em depressão ou experiências negativas.
As controvérsias sobre os benefícios e os perigos do consumo da cannabis têm sido numerosas. Alguns investigadores alegam que quando é usada com moderação é um relaxante eficaz e seguro e que as suas consequências são inferiores às do alcoolismo e dos tranquilizantes. Outros investigadores alegam que o uso da cannabis conduz a um aumento da violência, uso de drogas mais “perigosas” e redução geral da motivação.
LSD e Mescalina vêm de fontes diferentes e apresentam modos de acção diferentes. Os efeitos da droga, de qualquer droga, variam de pessoa para pessoa. No entanto, habitualmente resultam em períodos de experiências sensoriais dramaticamente transformadas. As cores ficam mais brilhantes, os sons ficam mais intensos e as formas frequentemente parecem distorcidas.
As “viagens” em geral duram entre quatro a oito horas. As mudanças na percepção e nos sentimentos podem variar muito de pessoa para pessoa, ou seja, se as percepções “mudadas” ou distorcidas são agradáveis, as “viagens” podem ser agradáveis, se as percepções “mudadas” são desagradáveis, este tipo de experiência pode se traumática, colocando o indivíduo em perigo de vida. Exemplo, jovens que pensaram que tinham poderes sobrenaturais e saltaram de edifícios ou pontes.
Os alucinógenos são tomados oralmente, depois de absorvidos pelo sistema digestivo, chegam ao cérebro através da corrente sanguínea. O uso do LSD e da mescalina apresentam diversas consequências negativas.

Se te encontras com dúvidas relativamente ao consumo de substâncias ou se conheces alguém que precisa de ajuda, liga o 1414, serviço de ajuda e aconselhamento na área da toxicodependência.

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