Mitos sobre Drogas

Existem muitas ideias ligadas ao consumo de drogas que são vistas como factos, que no entanto nunca foram demonstrados… não passam de mitos que no fundo servem apenas para sossegar as consciências individuais e colectivas.

O Álcool não é uma Droga.
O álcool, apesar de ser legal, é uma droga, uma vez que tem efeitos no Sistema Nervoso Central, provocando alterações da percepção, da motricidade, dos reflexos, da capacidade de avaliação das situações e pode provocar dependência física e psíquica. Em Portugal calcula-se que existam mais de meio milhão de alcoólicos crónicos.

Beber pouco não afecta as capacidades para a condução.
Não é verdade. Mesmo pequenas quantidades de bebidas alcoólicas têm efeitos ao nível da capacidade de concentração, da atenção, da motricidade e do tempo de reacção. Para além disso, esta diminuição das capacidades não é percebida pelo consumidor que muitas vezes até julga que estão aumentadas.

As saídas em grupo só são divertidas se toda a gente se embebedar.
A capacidade de as pessoas se divertirem tem a ver com o convívio que se estabelece entre elas, os laços que se criam, o contexto em que os encontros acontecem e não com o consumo de substâncias psico-activas.

Fumar Tabaco faz mais mal do que fumar Haxixe.
De um modo geral fuma-se haxixe misturado com tabaco, pelo que os efeitos da nicotina são acrescidos aos efeitos das diversas substâncias que compõem o haxixe, como a goma arábica e outras, que têm efeitos nocivos ao nível pulmonar.

O Haxixe dá sempre sensação de bem-estar.
Não é sempre assim. Com alguma frequência o consumidor somatiza e amplia angústias e estados de espírito e a experiência pode não ser muito agradável, podendo ocorrer ansiedade, ataques de pânico e paranóia.

Com o Haxixe não se corre o risco de ficar dependente.
Embora o Haxixe aparentemente não induza dependência física, alguns factores individuais e sociais podem levar à necessidade de um consumo compulsivo e à dependência psicológica.

Quem consome Haxixe mais cedo ou mais tarde acaba por consumir heroína ou cocaína.
Não é verdade. A maior parte dos consumidores regulares de Haxixe não sentem necessidade de consumir outras drogas. No entanto, há pessoas que, por diferentes razões, são mais susceptíveis de abusar de drogas do que outras. À partida, o consumidor de Haxixe corre mais riscos de vir a consumir outras drogas.

Os heroinómanos acabam por ficar completamente degradados (na rua, a arrumar carros, na prostituição,…)
Apesar de muitos consumidores de Heroína entrarem em processos de degradação e desestruturação, existem muitos que estão integrados social e profissionalmente, sem sinais evidentes desses consumos.

Quando não se injecta Heroína, o risco de ficar dependente é menor
A dependência ocorre qualquer que seja o modo de consumo de Heroína.

A Heroína dá paz de espírito e ajuda a resolver problemas.
Mesmo que no início o consumo de Heroína possa aliviar as tensões internas, proporcionando bem-estar, a verdade é que esse consumo mais cedo ou mais tarde leva a estados de dependência e mal-estar que podem desencadear uma série de problemas de âmbito pessoal e social.

A Heroína é a droga dos pobres e excluídos.
O consumo de Heroína atravessa todos os estratos sociais. As razões que estão na base dos consumos dependem fortemente de aspectos psicológicos, relacionais e outros.

As pastilhas são inofensivas porque não causam dependência física.
Embora não provoquem dependência física, o seu consumo pode levar à existência de dependência psicológica, ou seja, uma necessidade compulsiva de consumo, que pode ser facilitado pelos contextos de diversão.

Todas as pastilhas são ecstasy (MDMA)
Não é verdade. Um dos problemas do consumo de pastilhas advém do facto de não se saber que substâncias contêm. Investigações laboratoriais demonstram que a grande maioria das pastilhas não contêm MDMA (ecstasy) mas sim outras substâncias cujos efeitos podem ser inesperados e de difícil controlo.

Desde que não se abuse não há problema em beber álcool e tomar pastilhas.
A mistura de álcool e pastilhas pode ser bastante prejudicial para a saúde. Por um lado, ao nível da desidratação que pode provocar, pois ambas as substâncias são desidratantes, e por outro as consequências que pode ter ao nível cardíaco pois o álcool tem efeitos depressores e as pastilhas são estimulantes, sendo esse efeito antagónico.

A cocaína aumenta a performance intelectual
A cocaína é um estimulante do Sistema Nervoso Central que permite realizar actividades num ritmo acelerado, muitas vezes confundido com um aumento de rendimento e de capacidades intelectuais. Com o consumo continuado aparece um efeito paradoxal de depressão que pode desencadear paranóia e mesmo psicoses.  

Quem consome drogas fá-lo porque tem problemas
Mas o facto é que toda a gente tem os seus problemas, e por vezes graves, e a maior parte das pessoas não consome drogas. Muitos procuram nas substâncias um efeito “mágico” que lhes proporcione lidar com a realidade sem sofrimento. A verdade é que os problemas não desaparecem, as substâncias não resolvem nada e com o consumo de algumas substâncias os indivíduos perdem a capacidade de lidar com o real.

Para largar as drogas basta ter força de vontade.
A força de vontade ou a motivação é realmente uma condição indispensável para o início do tratamento. Contudo, é fundamental o acompanhamento técnico adequado para que a mudança seja duradoura.

Tomar drogas provoca a Sida.
Não é o consumo em si que provoca doenças como a sida e as hepatites, mas sim comportamentos associados aos consumos, como por exemplo a partilha de seringas, algodões, tubos ou qualquer material utilizado para o consumo, as relações sexuais desprotegidas e os contactos com sangue contaminado.

Se tiver outras dúvidas que deseja ver esclarecidas, pode recorrer de forma anónima à Linha Vida 1414.

Quais tipos de exames toxicológicos existentes ? Eles detectam qualquer droga ? A partir de quando eles dão positivo ?

A análise toxicológica para verificação do consumo de drogas vem sendo utilizada no meio profissional, no desporto, no auxílio e acompanhamento da recuperação de utentes em clínicas de tratamento e em pesquisas. Há testes disponíveis para a detecção de qualquer tipo de substância psicoativa (marijuana, cocaína, barbitúricos, opiáceos, anfetaminas e ecstasy).

Actualmente há três tipos de exames capazes de detectar a presença de drogas no organismo:

EXAME DE URINA
As drogas são geralmente destruídas (metabolizadas) pelo fígado e eliminadas pela urina. Portanto, analisar a urina em busca de metabólitos das drogas é um dos métodos para se detectar a presença do consumo de drogas. A urina é geralmente aceita como amostra para verificar o uso recente de drogas de abuso, mas não permite distinguir o utilizador ocasional do abusivo ou do dependente.

O período de duração da detectabilidade das drogas varia de acordo com a frequência e intensidade do uso das mesmas. Este período pode variar de poucas horas até 27 dias (ver tabela abaixo). A análise de amostras de urina podem detectar o consumo de marijuana e de cocaína em períodos mais longos. Já o álcool é metabolizado e eliminado rapidamente e os exames toxicológicos detectam somente o uso feito nas últimas horas.
A exacta concentração da droga ou de seu metabólito presente na urina não pode ser estimada; oferecendo um resultado preliminar. A quantificação da droga é realizada, quando solicitada, por metodologia específica em centros especializados. Portanto, a interpretação do resultado desta triagem deve ser submetida à consideração clínica e ao julgamento profissional do médico. Ainda, as concentrações de detecção do método seguem as recomendações da “Substance Abuse and Mental Health Services Administration” SAMHSA, EEUU. .

DURAÇÃO DA DETECTABILIDADE DAS DROGAS DE ABUSO NA URINA:

Substância | Duração da Detectabilidade

Anfetamina | 48 horas

Metanfetamina | 48 horas

Barbitúricos:
Ação curta 24 horas
Ação Intermediária de 48 a 72 horas
Ação Prolongada 7 dias ou mais

Benzodiazepínicos 3 dias (dose terapêutica)

Metabólitos da Cocaína de 2 a 3 dias

Metadona 3 dias aproximadamente

Codeína / Morfina 48 horas

Canabinóides (marijuana):
Uso Único 3 dias
Uso Moderado 4 dias
Uso Intenso (diário) 10 dias
Uso Crônico de 21 a 27 dias

Metaquoalona 7 dias ou mais

Feniciclidina (PCP) 8 dias apoximadamente

Journal of the American Medical Association´s Council on Scientific Affairs, 1987, pp. 3, 112

 EXAME DE SANGUE

Pesquisa directa da droga no sangue. O exame de sangue possibilita apenas verificar o uso recente de substâncias (algumas horas). Este exame é realizado em centros especializados.

TESTE DO CABELO

A análise de amostras do cabelo ainda não é considerada válida por ter sua eficácia e utilidade sendo discutida no meio cientifico. Portanto, a credibilidade deste tipo de teste precisa de mais estudos.

O cabelo cresce cerca de um centímetro por mês. A base do fio está dentro do couro cabeludo e é ricamente irrigada pelo sangue. Quando alguém usa uma droga, parte da substância é absorvida pelo sangue que irriga o couro cabeludo e se deposita no cabelo. Quando ele cresce, leva a droga acumulada consigo. Com isso, o teste do cabelo seria capaz de detectar o consumo de drogas por vários meses (cada centímetro de cabelo seria um mês de uso).

É importante salientar que os teste de detecção de drogas só podem ser realizados após autorização do indivíduo por escrito ou em condições de urgência clínica. No ambiente hospitalar a triagem para drogas de abuso é realizada exclusivamente para avaliação e suporte da conduta médica, não podendo ser utilizado como subsídio para outras acções.