Drogas: Pais & Filhos
Drogas em geral, Geral Março 13th, 2008
Dr. Manuel Pinto Coelho
Não é fácil ter um filho toxicodependente. Muitos pais vivem na angústia de não saberem em que ponto da educação erraram e não conseguem lidar com o problema, que muitas vezes, começa na infância.
Quando alguém se interroga dos porquês da entrada na toxicodependência, surgem inevitavelmente por esta ordem ou outra, a busca do prazer imediato, a pressão por parte dos outros, a curiosidade, a acessibilidade, a vontade de se sentir mais velho (a) ou confiante, a revolta, a dificuldade de enfrentar a pressão, de conseguir lidar com maus tratos e abusos ou ainda como forma de melhorar a imagem.
Não nos esqueçamos de que estamos a tratar, na maioria das vezes, de uma franja particular da população – a juventude – que está habituada a receber mais informação do que aquela que pode descodificar e que é habitualmente confrontada com mais opções do que aquelas que pode tomar, numa idade em que é mais apetecível agir que reflectir.
Pode-se dizer que, de um modo geral, os jovens experimentam drogas porque o seu sistema de valores interno não está suficientemente desenvolvido para resistir às pressões externas.
Na origem dos problemas de infância que podem conduzir à droga, a atitude dos pais ou de quem exerça esse papel, é de primordial importância: Por Isso há 13 atitudes básicas que devem ser tomadas em linha de conta (1).
Cuidados a ter na infância
– Os pais devem dar às crianças um sentimento de segurança.
– A criança foi feita para sentir que é amada e desejada.
– O medo e o castigo devem ser evitados tanto quanto possível.
– Deve ser dada à criança a possibilidade de aprender a ser independente e responsável.
– Os pais devem aparentar calma e serem tolerantes, não se mostrando chocados, quando as crianças derem evidência de instintos “selvagens” próprios da sua condição humana.
– Os pais devem ser tão firmes e consistentes quanto possível, de forma a evitar, na criança, a confusão e o aparecimento de atitudes contraditórias.
– É pouco prudente fazer com que uma criança se sinta inferior.
– É imprudente forçar uma criança para além das suas capacidades.
– Os sentimentos e os desejos da criança devem ser respeitados, mesmo se não estiverem exactamente de acordo com os desejos dos pais. Á criança deve ser permitida a satisfação dos seus desejos, dentro, claro está, dos limites do razoável.
– Todas as perguntas que as crianças façam devem ter uma resposta franca e honesta e sem ultrapassar a sua capacidade de compreensão.
– Os pais devem mostrar apreciação e interesse em relação às coisas que os seus filhos estejam a fazer, mesmo que pelos padrões deles, elas não sejam interessantes ou importantes.
– Mesmo que as crianças tenham dificuldades ou problemas, elas deverão sempre ser tratadas, como normais e saudáveis.
– É preferível educar os filhos com o objectivo do crescimento, desenvolvimento e do melhoramento, do que com o objectivo da perfeição.
(1) Maurice Levine
Se os pais criarem a ilusão que conseguem pôr em prática todos estes ensinamentos, ficarão inevitavelmente desiludidos por terem criado esse ideal impossível de perfeição. Não é isso que se pretende.
Muito frequentemente, as atitudes assumidas pelos adultos são desfavoráveis para o saudável e feliz desenvolvimento da criança, tendo como resultado toda uma variedade de situações que se poderão desenvolver depois, como a utilização das drogas, como refúgio (virtual) para o seu mal-estar.
Para Elsa, (nome fictício) ex-toxicodependente, os pais devem:
– Não aceitar a “benignidade“ das drogas “leves”, ajudando-os a compreender que as mesmas frequentemente são causadoras da “ingressão” nas drogas “pesadas”.
– Não passarem a ser policias – o uso das drogas não se resolve com tensão e ansiedade.
– Não se envergonharem por terem um filho “drogado”. Devem falar com ele, pedir ajuda a pais na mesma situação e/ou a especialistas.
– Procurarem ajudar o filho em vez de lhe atirarem à cara as asneiras que anda a fazer, tomando consciência que tão cedo as asneiras não vão acabar.
– Aceitarem que, ainda que inconscientemente, são eles pais que sustentam o vício dos filhos, facilitando-lhes a vida.
– Não acusar, mesmo que seja esse o impulso que sentem, num momento de raiva e desespero.
– Darem um acompanhamento mais activo, paralelamente ao apoio prestado pelos técnicos.
O meu filho está a usar drogas?
Sinais de alerta:
– Desinteresse repentino pelos verdadeiros amigos, pela escola, pela família e pelos desportos.
– Isolamento. Passar horas a fio na rua ou enfiados no quarto.
– Pedir bastante dinheiro em casa, utilizando os mais variados pretextos (virtual pagamento de multas, gasolina, etc)
– Começar a ser bastante crítico com as pessoas e com a vida.
– Cada vez mais dificuldade em acordar ou adormecer.
– Mudança súbita de vestuário e desleixo.
– Desaparecimento de objectos pessoais ou de familiares (ouro, antiguidades, etc.)
O meu filho é toxicodependente.
O que fazer?
– Identificar e utilizar valores tais como a saúde, o(a) companheiro(a) ou família, a aparência, a relação com Deus, a inteligência, a posição na comunidade, o auto-respeito, a sua profissão ou os amigos.
– Motivação. A melhor resposta que se pode dar à pergunta: “Quando é que as pessoas mudam?” ainda é: “quando as próprias quiserem”. O que se pode fazer então é activar o desejo de saída, contrariando a filosofia de algum modo instalada no nosso país de que as drogas vieram para ficar e que não há outra solução senão adaptarmo-nos a elas, fazendo ver ainda que ao contrário do que alguns apregoam, a toxicodependência não é uma doença crónica, recorrente e fatalmente progressiva e que há saída para ela.
– Recompensas. Pesar os custos e os benefícios da toxicodependência. As pessoas desistem da droga quando começam a ter mais recompensas por viverem sem ela do que com ela.
– Recursos. Identificar forças e fraquezas, avaliando as reservas que se tem e as que estão a faltar para depois as ir buscar!
– Procurar apoio entre as pessoas mais próximas, a começar pela família.
– Procurar amadurecer a identidade pela procura do auto-respeito e de uma vida de novo responsável.
– Procurar alcançar objectivos mais altos, perseguindo e atingindo coisas de valor, como por exemplo coisas que beneficiem outras pessoas e contribuam para o bem-estar da comunidade. Habitualmente, quando alguém deixa de ser egoísta e se foca nas outras pessoas, acaba por desistir do seu comportamento auto-destrutivo.
Dr. Manuel Pinto Coelho
Na teia da droga
Uma vez deixados enredar na teia da droga, só se conseguem libertar quando assumem responsabilidades perante si e os outros. Apenas quando forem capazes de tomar decisões e terem arcaboiço para suportar depois as consequências é que conseguem dar esse passo.
Isso acontece quando conseguirem reconhecer obrigações nos valores (habitualmente adormecidos durante a fase dos consumos) que sustentam, quer eles estejam relacionados com os seus filhos, pais, amigos, empregados, colegas, vizinhos, ou com o país em que vivem.
Acresce que a sociedade de consumo, na qual todos nos integramos, está aliada a diversas questões, como forte individualismo (egoísmo), competitividade, busca incessante do cómodo e confortável, falta de solidariedade e de comunicação, ansiedade e stress, factores estes que vão provocar depois, insegurança e instabilidade psicológica.
Além disto, podemos apontar a existência de problemas sociais como desemprego, pobreza, exclusão, racismo, degradação patrimonial, falta de condições de ensino e insucesso escolar e profissional, os quais juntamente com a indiferença religiosa e a inexistência de crença na transcendência humana, podem ser conducentes ao uso de substâncias psicoactivas.
Deste modo, o recurso à droga pode ser visto como forma do Homem combater um sentimento individual e colectivo de angústia e insegurança.
Fonte: Saúde Semanário
Breve introdução
Drogas em geral Dezembro 18th, 2007
Todo o uso de drogas, licitas ou ilícitas, têm consequências que em alguns casos podem ser insignificantes e negligenciáveis mas que em outros casos assumem proporções bastante graves. Um simples copo de vinho, ou um charro, podem ser o objecto de uma primeira experiência que pela repetição pode ter efeitos graves num futuro mais ou menos distante, ou mesmo durante o período em que se está sob a sua influência.
Conceitos
O síndroma de abstinência consiste na existência de determinados sintomas principalmente fisiológicos mas também psicológicos resultantes da interrupção abrupta ou diminuição acentuada do consumo de uma substância. As células nervosas ficaram habituadas à administração de grandes quantidades do neurotransmissores artificiais e o corpo habituado a presença da substância reage à modificação.
A dependência psicológica – é um atributo do uso abusivo de todas as substâncias, consistindo na sensação experimentada pelo consumidor de que necessita da substância para atingir um melhor nível de actividade ou uma sensação de bem estar superior, recorrendo por isso de forma quase sistemática ao seu consumo.
A dependência física – existe quando o organismo se adaptou fisiologicamente ao consumo habitual da substância, verificando-se com a interrupção ou diminuição acentuada do consumo os sintomas característicos do síndroma de abstinência específicos da substância em causa. Este tipo de dependência estará associada principalmente ao reforço negativo.
Problemática da droga
Drogas em geral Dezembro 18th, 2007
Drogas Presentemente, a problemática da droga faz parte do nosso dia a dia.
Considera-se importante que os jovens tenham conhecimentos que lhes permitam compreender esta tão complexa problemática, de forma a facilitar a criação de mecanismos de defesa nas situações de risco de consumo. A curiosidade, a pressão do grupo e o gosto pelo risco são as principais causas que levam os jovens a experimentar a droga. A fuga a determinados problemas afectivos, de ordem pessoal ou familiar é uma razão comum, tanto nos jovens como nos adultos.
O percurso do consumo de droga está intimamente ligado à dependência que esta cria no consumidor.
O consumidor sente um intenso desejo de se drogar (dependência psicológica). O organismo fica dependente da droga e a falta desta provoca um grande mal estar físico (dependência física). Para conseguir o efeito desejado, o consumidor tem necessidade de ir aumentando a quantidade de droga.
A droga provoca alterações ao nível do sistema nervoso central podendo modificar o modo de pensar, de sentir e de agir.
Os efeitos da droga variam conforme o tipo de substâncias, o estado físico e psicológico do consumidor e o contexto em que se ocasiona o consumo (ver detalhes em Drogas). A droga vai dominando e empobrecendo a vida.
Diariamente, o toxicodependente pode viver situações de risco de vida, ora por excessos de consumo (overdose), ora por ter determinados comportamentos (utilização de seringas infectadas e/ou relações sexuais sem protecção), os quais
podem originar doenças incuráveis.
A relação com a droga pode levar a problemas com a justiça, devido a assaltos e outro tipo de roubos. E isto acontece, devido aos preços que a economia da droga a nível mundial estabelece, porque à custa da dependência de uns, enriquecem outros.
Toxicodependências : aspectos
As toxicodependências podem ser de duas naturezas, a mais vulgar e menos destrutiva é a dependência psicológica, ligada fundamentalmente aos mecanismos de reforço positivo, e que é um atributo do uso abusivo de todas as substâncias, consistindo na sensação experimentada pelo consumidor de que necessita da substância para atingir um melhor nível de actividade ou uma sensação de bem estar superior, recorrendo por isso de forma quase sistemática ao seu consumo. A sua determinação é bastante subjectiva, e é um conceito posterior ao de dependência física, necessário para explicar alguns comportamentos quase compulsivos, não só no domínio das drogas.
A mais visível em termos sociais, e a que causa maiores danos, é a dependência física, ligada fundamentalmente aos mecanismo de reforço negativo que existe quando o organismo se adaptou fisiologicamente ao consumo habitual da substância, verificando-se com a interrupção ou diminuição acentuada do consumo os sintomas característicos do síndroma de abstinência específicos da substância em causa.
De uma forma geral, no percurso dos toxicodependentes, podemos destinguir três etapas: a A primeira fase é vulgarmente designada por lua de mel, é caracterizada pela percepção dos efeitos positivos das drogas e pela ausência quase total de efeitos negativos. Nesta fase funciona fundamentalmente o mecanismo de reforço positivo, os consumos são ocasionais ou pouco regulares pelo que os efeitos negativos ou estão ausentes ou não são muito significativos. Como já disse a grande maioria dos consumidores de drogas está nesta fase, que apesar da existência do reforço positivo na maioria dos casos não se verifica qualquer dependência, nem psicológica nem física, e nada prova que evoluam necessariamente para outras fases, isto é especialmente verdade no caso dos produtos da cannabis. A segunda fase, pode já estar associada à dependência psicológica e se bem que os mecanismos de reforço positivos sejam predominantes, e quase exclusivos no caso da dependência psicológica da cannabis, nas outras drogas como o álcool e a heroina, começam já a ser importantes os mecanismos de reforço negativo, os consumos além de proporcionarem ainda algum prazer, começam a ser também uma necessidade para mitigar o sofrimento, tornando-se cada vez mais regular e imperioso o uso das substâncias para contrariar os seus efeitos negativos. Na terceira fase, fundamentalmente associada à dependência física, os mecanismos de reforço positivo são quase anulados, existindo uma predominância quase total dos mecanismos de reforço negativo. A transição para esta fase é muito reduzida ou mesmo inexistente no caso dos consumidores de cannabis, mas muito mais frequente nos heroinomanos e nos alcoólicos, por via da severidade dos sintomas de abstinência que estas substâncias produzem. Nesta fase os consumidores, que atingem uma visibilidade social muito grande pelo seu aspecto e comportamentos assumidos, observada especialmente em alguns heroinomanos pelo seu recurso a criminalidade aquisitiva, buscam essencialmente o restabelecimento da sua normalidade, a angustia provocada pela abstinência exige ser mitigada de imediato. Está instalado o circulo da dependência característico dos sistemas que reagem de forma compulsiva aos efeitos negativos, que curiosamente também transformam as teses proibicionistas numa dependência.
Em relação ainda a esta divisão por fases, de um modo geral pode-se considerar que para as substâncias com menor potencial para produzir efeitos negativos severos na abstinência, como por exemplo a cannabis, apresentam uma distribuição dos seus consumidores pelas diversas fases que assume este aspecto visual.
Do mesmo modo, e também de forma geral, a distribuição da população consumidora de substâncias com maior potencial toxicomanogénico pelas diversas fases nas ser visualizada com recurso ao seguinte diagrama:
Diferenças entre vários tipos de drogas
Drogas em geral Dezembro 18th, 2007
O quadro abaixo explica as diferenças entre vários tipos de drogas – a categoria onde se inserem, o grau de deependência, a forma como se aplica e a duração dos efeitos a nível psicológico, numa linguagem mais banal, “quanto tempo dura a moca”.
É preciso dizer que, no último aspecto, é tudo muito relativo, depende do estado físico, psicológico e moral, variando caso a caso.
A área do quadro – categoria – possui hiperligações, para uma explicação breve sobre cada categoria de droga e o que difere umas das outras.
|
CATEGORIA |
TIPOS |
DEPENDÊNCIA (fisíca / psicológica) |
COMO SE “TOMA” |
DURAÇÃO (horas) |
|
Narcóticos |
Ópio Heroína Morfina |
alta / alta alta / alta alta / alta |
oral, fumado oral, fumada, injectada, inalada oral, fumada, injectada |
3 – 6 3 – 3 3 – 6 |
|
Estimulantes |
Cocaína Anfetaminas Crack |
possível / alta possível / alta alta / alta |
inalada, fumada, injectada oral, injectada inalado |
1 – 2 2 – 4 poucos minutos |
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Alucinogénios |
Lsd Ecstasy |
nenhuma / NI nenhuma / NI |
oral oral |
8 – 12 muito variável |
|
Cannabis |
Marijuana Haxixe Óleo de haxixe |
NI / moderada NI / moderada NI / moderada |
oral, fumada oral, fumada oral, fumada |
2 – 4 2 – 4 2 – 4 |
|
Álcool |
Álcool etílico Etanol |
possível / possível possível / possível |
oral oral |
1 – 4 1 – 4 |
Nota:
A abreviação NI, significa “não existe informação”. A razão de tal deve-se ao facto de existir pouca pesquisa pela comunidade cientifica sobre o assunto. Só como exemplo, o composto activo da cannabis – THC – foi descoberto há muito pouco tempo, pode-se ver então a dificuldade, ou atraso, que existe em explicar a droga e os seus efeitos
Mitos sobre Drogas
Drogas em geral Dezembro 18th, 2007
Existem muitas ideias ligadas ao consumo de drogas que são vistas como factos, que no entanto nunca foram demonstrados… não passam de mitos que no fundo servem apenas para sossegar as consciências individuais e colectivas.
O Álcool não é uma Droga.
O álcool, apesar de ser legal, é uma droga, uma vez que tem efeitos no Sistema Nervoso Central, provocando alterações da percepção, da motricidade, dos reflexos, da capacidade de avaliação das situações e pode provocar dependência física e psíquica. Em Portugal calcula-se que existam mais de meio milhão de alcoólicos crónicos.
Beber pouco não afecta as capacidades para a condução.
Não é verdade. Mesmo pequenas quantidades de bebidas alcoólicas têm efeitos ao nível da capacidade de concentração, da atenção, da motricidade e do tempo de reacção. Para além disso, esta diminuição das capacidades não é percebida pelo consumidor que muitas vezes até julga que estão aumentadas.
As saídas em grupo só são divertidas se toda a gente se embebedar.
A capacidade de as pessoas se divertirem tem a ver com o convívio que se estabelece entre elas, os laços que se criam, o contexto em que os encontros acontecem e não com o consumo de substâncias psico-activas.
Fumar Tabaco faz mais mal do que fumar Haxixe.
De um modo geral fuma-se haxixe misturado com tabaco, pelo que os efeitos da nicotina são acrescidos aos efeitos das diversas substâncias que compõem o haxixe, como a goma arábica e outras, que têm efeitos nocivos ao nível pulmonar.
O Haxixe dá sempre sensação de bem-estar.
Não é sempre assim. Com alguma frequência o consumidor somatiza e amplia angústias e estados de espírito e a experiência pode não ser muito agradável, podendo ocorrer ansiedade, ataques de pânico e paranóia.
Com o Haxixe não se corre o risco de ficar dependente.
Embora o Haxixe aparentemente não induza dependência física, alguns factores individuais e sociais podem levar à necessidade de um consumo compulsivo e à dependência psicológica.
Quem consome Haxixe mais cedo ou mais tarde acaba por consumir heroína ou cocaína.
Não é verdade. A maior parte dos consumidores regulares de Haxixe não sentem necessidade de consumir outras drogas. No entanto, há pessoas que, por diferentes razões, são mais susceptíveis de abusar de drogas do que outras. À partida, o consumidor de Haxixe corre mais riscos de vir a consumir outras drogas.
Os heroinómanos acabam por ficar completamente degradados (na rua, a arrumar carros, na prostituição,…)
Apesar de muitos consumidores de Heroína entrarem em processos de degradação e desestruturação, existem muitos que estão integrados social e profissionalmente, sem sinais evidentes desses consumos.
Quando não se injecta Heroína, o risco de ficar dependente é menor
A dependência ocorre qualquer que seja o modo de consumo de Heroína.
A Heroína dá paz de espírito e ajuda a resolver problemas.
Mesmo que no início o consumo de Heroína possa aliviar as tensões internas, proporcionando bem-estar, a verdade é que esse consumo mais cedo ou mais tarde leva a estados de dependência e mal-estar que podem desencadear uma série de problemas de âmbito pessoal e social.
A Heroína é a droga dos pobres e excluídos.
O consumo de Heroína atravessa todos os estratos sociais. As razões que estão na base dos consumos dependem fortemente de aspectos psicológicos, relacionais e outros.
As pastilhas são inofensivas porque não causam dependência física.
Embora não provoquem dependência física, o seu consumo pode levar à existência de dependência psicológica, ou seja, uma necessidade compulsiva de consumo, que pode ser facilitado pelos contextos de diversão.
Todas as pastilhas são ecstasy (MDMA)
Não é verdade. Um dos problemas do consumo de pastilhas advém do facto de não se saber que substâncias contêm. Investigações laboratoriais demonstram que a grande maioria das pastilhas não contêm MDMA (ecstasy) mas sim outras substâncias cujos efeitos podem ser inesperados e de difícil controlo.
Desde que não se abuse não há problema em beber álcool e tomar pastilhas.
A mistura de álcool e pastilhas pode ser bastante prejudicial para a saúde. Por um lado, ao nível da desidratação que pode provocar, pois ambas as substâncias são desidratantes, e por outro as consequências que pode ter ao nível cardíaco pois o álcool tem efeitos depressores e as pastilhas são estimulantes, sendo esse efeito antagónico.
A cocaína aumenta a performance intelectual
A cocaína é um estimulante do Sistema Nervoso Central que permite realizar actividades num ritmo acelerado, muitas vezes confundido com um aumento de rendimento e de capacidades intelectuais. Com o consumo continuado aparece um efeito paradoxal de depressão que pode desencadear paranóia e mesmo psicoses.
Quem consome drogas fá-lo porque tem problemas
Mas o facto é que toda a gente tem os seus problemas, e por vezes graves, e a maior parte das pessoas não consome drogas. Muitos procuram nas substâncias um efeito “mágico” que lhes proporcione lidar com a realidade sem sofrimento. A verdade é que os problemas não desaparecem, as substâncias não resolvem nada e com o consumo de algumas substâncias os indivíduos perdem a capacidade de lidar com o real.
Para largar as drogas basta ter força de vontade.
A força de vontade ou a motivação é realmente uma condição indispensável para o início do tratamento. Contudo, é fundamental o acompanhamento técnico adequado para que a mudança seja duradoura.
Tomar drogas provoca a Sida.
Não é o consumo em si que provoca doenças como a sida e as hepatites, mas sim comportamentos associados aos consumos, como por exemplo a partilha de seringas, algodões, tubos ou qualquer material utilizado para o consumo, as relações sexuais desprotegidas e os contactos com sangue contaminado.
Se tiver outras dúvidas que deseja ver esclarecidas, pode recorrer de forma anónima à Linha Vida 1414.
