Inalantes
Drogas inalantes
A categoria das drogas inalantes engloba diversas substâncias químicas voláteis, sendo três das mais conhecidas o tolueno, o éter dietílico e o clorofórmio.
Tolueno
O tolueno é um solvente orgânico presente em inúmeros produtos industriais e domésticos, como colas de contacto, colas para aeromodelismo, combustível para isqueiros, tintas, gasolina, alguns aerossóis, vernizes, esmaltes de unhas e produtos de limpeza.
A inalação dos vapores libertados por estes produtos pode provocar efeitos semelhantes aos da intoxicação alcoólica e, em doses elevadas, originar alterações da perceção e alucinações.
Os sintomas mais frequentes incluem euforia, inquietação, confusão, desorientação, excitação e perda da coordenação motora.
A exposição repetida pode provocar tonturas, instabilidade ao caminhar, alterações da perceção das cores, distorções da noção de tempo e espaço e uma sensação exagerada de poder ou invulnerabilidade.
Em situações de intoxicação grave podem surgir náuseas, vómitos, fadiga, fraqueza muscular, dores abdominais, tremores, ansiedade intensa, sentimentos de medo, isolamento, culpa, alterações neurológicas, perda de consciência e, nos casos mais graves, coma.
Os efeitos do tolueno resultam da sua ação depressora sobre o sistema nervoso central.
O consumo repetido pode provocar lesões permanentes no cérebro, danos no fígado, rins e sistema respiratório, alterações da medula óssea, lesões nas mucosas nasais, perda de visão e perturbações do comportamento, incluindo episódios de agressividade.
O uso frequente pode originar tolerância, levando à necessidade de consumir quantidades cada vez maiores para obter os mesmos efeitos.
Embora a dependência física seja pouco frequente, o consumo continuado pode provocar uma forte dependência psicológica. A interrupção precoce do consumo permite, em muitos casos, uma recuperação parcial ou significativa das funções afetadas, embora algumas lesões possam tornar-se permanentes.
Éter dietílico
O éter dietílico foi descoberto na Idade Média e é obtido através da desidratação do etanol com ácido sulfúrico.
Durante os séculos XVIII e XIX, o éter foi utilizado de forma recreativa em vários países europeus como alternativa às bebidas alcoólicas.
No Reino Unido, o seu consumo foi bastante popular até ao final do século XIX, diminuindo progressivamente quando o álcool voltou a tornar-se mais acessível.
Nos Estados Unidos, registou-se um aumento do consumo durante o período da Lei Seca (1920–1933), quando as bebidas alcoólicas eram ilegais.
Durante a Segunda Guerra Mundial, o éter voltou a ser utilizado em alguns países europeus devido à escassez de bebidas alcoólicas.
Em Portugal e no Brasil tornou-se conhecido através do lança-perfume, um produto utilizado sobretudo durante o Carnaval. O lança-perfume continha normalmente éter, cloreto de etilo e outras substâncias voláteis que produziam uma sensação rápida de euforia e desinibição quando inaladas.
O uso medicinal do éter iniciou-se em 1846, quando passou a ser utilizado como anestésico geral, marcando um importante avanço na cirurgia moderna.
Em doses moderadas, provoca depressão do sistema nervoso central e efeitos semelhantes aos da embriaguez.
O consumo excessivo pode provocar náuseas, irritação do estômago, dificuldade respiratória, perda de consciência e, em situações extremas, morte por depressão respiratória.
Clorofórmio
O clorofórmio foi descoberto de forma independente na Alemanha, França e Estados Unidos em 1831.
Trata-se de um líquido incolor e volátil que liberta vapores à temperatura ambiente.
Inicialmente, acreditava-se que poderia constituir uma alternativa mais segura ao álcool, uma vez que pequenas quantidades produziam euforia e desinibição sem provocar ressaca.
Em 1847 começou a ser utilizado como anestésico em cirurgias e partos, devido à sua elevada eficácia e rapidez de ação, sendo significativamente mais potente do que o éter.
Contudo, verificou-se posteriormente que o clorofórmio apresentava riscos importantes, incluindo arritmias cardíacas, lesões hepáticas, toxicidade para vários órgãos e possibilidade de morte súbita por depressão cardiovascular e respiratória.
Por esse motivo, foi sendo gradualmente substituído por anestésicos mais seguros.
Devido à sua elevada toxicidade, a ingestão ou inalação de grandes quantidades de clorofórmio pode ser fatal.