Canábis (Maconha)

Verdades e mitos

Ao longo dos anos, a canábis tem sido alvo de inúmeros debates científicos e sociais. Muitas afirmações divulgadas no passado revelaram-se incorretas ou incompletas à luz do conhecimento atual.

Algumas verdades

  • O impacto da legalização ou descriminalização no consumo varia entre países e depende de diversos fatores sociais, económicos e culturais. Não existe uma relação simples entre legalização e aumento ou diminuição do consumo.
  • Fumar canábis expõe os pulmões a substâncias potencialmente nocivas resultantes da combustão. O consumo frequente por via fumada pode aumentar o risco de problemas respiratórios, embora a relação direta com o cancro do pulmão continue a ser objeto de investigação.
  • O consumo durante a gravidez é desaconselhado. Atualmente existem evidências de que a exposição pré-natal ao THC pode afetar o desenvolvimento fetal e aumentar alguns riscos para a gravidez.
  • A canábis pode prejudicar o desempenho desportivo, sobretudo em atividades que exigem coordenação, reflexos rápidos e elevada capacidade de concentração.

Alguns mitos

  • A canábis não provoca dependência em todas as pessoas, mas pode causar dependência em alguns consumidores, especialmente quando o consumo começa precocemente ou é frequente.
  • O consumo regular pode afetar temporariamente a memória, a atenção, a aprendizagem e a velocidade de processamento da informação, sobretudo durante a intoxicação.
  • A interrupção do consumo pode provocar síndrome de abstinência, geralmente ligeira a moderada, incluindo irritabilidade, ansiedade, alterações do sono e diminuição do apetite.
  • As variedades atuais de canábis podem apresentar concentrações de THC muito superiores às existentes há algumas décadas, aumentando o risco de efeitos adversos.

Definição

A maconha é uma das diversas preparações obtidas a partir da planta Cannabis sativa, embora atualmente se reconheçam também outras espécies e subespécies, como Cannabis indica.

Da planta obtêm-se igualmente produtos como o haxixe e outros preparados ricos em canabinóides.

O principal composto psicoativo é o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC), concentrado sobretudo na resina produzida pelas flores femininas.

Habitualmente é consumida sob a forma de cigarros (“charros” ou “baseados”), vaporizada ou incorporada em alimentos e bebidas.

Os efeitos variam consoante a dose, a concentração de THC, a presença de outros canabinóides, a via de administração e as características individuais de cada consumidor.

Efeitos

Os efeitos iniciam-se normalmente poucos minutos após a inalação e podem prolongar-se durante duas a quatro horas, embora alguns efeitos residuais possam durar mais tempo.

Entre os efeitos físicos mais frequentes encontram-se:

  • aumento temporário da frequência cardíaca;
  • vermelhidão dos olhos;
  • boca seca;
  • aumento do apetite;
  • diminuição dos reflexos.

Os efeitos psicológicos podem incluir:

  • sensação de relaxamento;
  • bem-estar;
  • euforia;
  • aumento da sociabilidade;
  • alteração da perceção do tempo;
  • intensificação das perceções sensoriais;
  • dificuldade de concentração;
  • alterações da memória de curto prazo.

Em algumas pessoas podem surgir ansiedade, ataques de pânico, paranoia e, em casos raros, episódios psicóticos temporários.

Riscos

A canábis altera os reflexos, a atenção e o tempo de reação, pelo que não deve ser consumida antes de conduzir veículos ou operar máquinas.

Embora não existam casos confirmados de morte por intoxicação direta exclusivamente provocada por THC, o consumo pode aumentar significativamente o risco de acidentes.

O consumo frequente por via fumada pode agravar doenças respiratórias, como bronquite crónica.

Em pessoas geneticamente predispostas, pode aumentar o risco de desenvolvimento ou agravamento de determinadas perturbações psiquiátricas.

História

A Cannabis sativa é utilizada há vários milhares de anos.

Registos provenientes da China, datados de cerca de 2700 a.C., descrevem a sua utilização medicinal.

Também foi utilizada na produção de cordas, tecidos, velas para embarcações e papel.

Marco Polo descreveu o seu cultivo em várias regiões da Ásia e do Médio Oriente.

Durante séculos, a planta foi empregada em diferentes culturas tanto para fins medicinais como religiosos e recreativos.

No continente americano, a canábis foi introduzida pelos colonizadores europeus e também utilizada para produção de fibras têxteis.

Ao longo do século XX, muitos países proibiram o seu consumo, embora vários tenham posteriormente optado pela descriminalização ou legalização parcial, sobretudo para fins medicinais.

Utilização medicinal

Nas últimas décadas, diversos estudos demonstraram benefícios terapêuticos da canábis e dos canabinóides em determinadas situações clínicas.

Entre as utilizações atualmente reconhecidas em vários países encontram-se:

  • controlo das náuseas e vómitos associados à quimioterapia;
  • tratamento de algumas formas de epilepsia resistente;
  • espasticidade na esclerose múltipla;
  • dor crónica em situações específicas;
  • estimulação do apetite em determinadas doenças.

Contudo, estes tratamentos utilizam preparações farmacêuticas específicas e devem ser realizados sob supervisão médica.

Situação atual

A legislação relativa à canábis varia significativamente entre países.

Alguns permitem apenas o uso medicinal, outros descriminalizaram a posse para consumo pessoal e alguns legalizaram igualmente o uso recreativo, sujeito a regulamentação.

O debate científico, médico, jurídico e social continua em evolução, acompanhando a publicação de novos estudos sobre os benefícios, riscos e impacto da regulamentação da canábis.

4 comentários

  1. O cannabis não faz mal a ninguém… é basicamente isso! Além de que ele é utilizado pra a produção de diversos cosméticos, roupas… tudo em escala industrial… pode ver isso no meu site. Tudo isso é questão de se despir de preconceitos.

  2. Hoje em dia o preconceito em torno da cannabis é muito forte devido a idéia errada que as pessoas têm sobre o seu uso. Muitos falam mal sem nunca ter experimentado, e têm idéias a cerca da maconha que não fazem sentido algum para quem conhece seus efeitos e defeitos. Os relatos de pessoas que sofreram algum tipo de consequência grave por causa do uso da planta são poucos e pessoalmente nunca conheci alguem que tenha experimentado e não tenha gostado.

  3. EU SOU USUARIO A 10 ANOS E NÃO VI NDA DISSO QUE ESTA RELATADO NA MATERIA ACONTECER COMIGO! MUITO PELO CONTRARIO ESTOU NO ULTIMO ANO DA FACULDADE DE ADM ME FORMO ESSE ANO, TRABALHO EM BANCO E A MACONHA NÃO ATRAPALHA MINHA VIDA EM NDA, VOU PARA BALADAS, TRABALHO E ESTUDO TUDO ISSO MOVIDO A MACONHA!

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