subida do número de novas drogas permanece imparável e se em 2013 era de 81 já no ano passado esse valor subiu para 101.

A revelação foi feita esta quarta-feira, em Lisboa, na sede da Polícia Judiciária, pelo professor catedrático Félix Carvalho, da Faculdade de Farmácia, da Universidade do Porto, que classifica as novas drogas como uma “mistura explosiva”. Esta avaliação foi feita no âmbito do balanço de um ano de cooperação na área das novas substâncias psicoativas entre o Laboratório de Polícia Científica (LPC) da PJ, a Faculdade de Farmácia do Porto e a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Os números foram apresentados esta quinta-feira publicamente pelo Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, mas Félix Carvalho lançou-os já ontem, com preocupação. “Surgem duas novas drogas por semana. E quando falamos de 101 situações é preciso levar em linha de conta que já há 400 novas drogas”, apontou o universitário.

A aposta dos traficantes em novas substâncias é também uma forma de contornar a lei, que se aplica unicamente às drogas que constam das tabelas de substâncias proibidas. João Goulão, responsável pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências e ligado ao Observatório Europeu, reconhece, ao JN, que os números constatados são uma “preocupação central”.

Félix Carvalho alerta para os riscos destas novas drogas. “Há algumas destas novas substâncias cujo poder é maior que o da morfina”, avisa. Este universitário está ainda contra quem usa o argumento de que estas “drogas são mais puras” e, por isso, mais inofensivas. “Isto é uma falácia”, garante.

A esta conclusão chegou a Faculdade de Farmácia com a Faculdade de Ciências, graças ao acordo com o LPC, que lhes permitiu aceder e avaliar algumas destas substâncias proibidas. “Não são puras, são misturas de diferentes compostos, onde chega a entrar a cafeína, que, sabe-se hoje em dia, potencia os efeitos tóxicos, por exemplo, do ecstasy e de outros estimulantes.

São, por vezes, misturas explosivas”. O mesmo investigador chama ainda a atenção para o facto de se saber “muito pouco sobre estas novas drogas”, por exemplo sobre as “consequências a longo prazo para o organismo”. Este é um aspeto que a cooperação com o LPC e a universidade pode permitir ultrapassar. Consequências graves As consequências do consumo destas novas substâncias “podem incidir sobre o sistema cardíaco, o sistema hepático e o sistema renal”, a médio e a longo prazo. E não há quaisquer garantias sobre este tipo de novas drogas, que circula em função de um marketing informal, de boca em boca. Na verdade, refere o especialista, ninguém sabe o que realmente lá está. “Muitas vezes a propaganda destas substâncias diz uma coisa, mas ela pode ser outra completamente diferente”, alerta Félix Carvalho. É este o contexto que também preocupa João Goulão.


Tags: , , , , ,

Recebe todas as Novidades no teu Email:

Segue-nos também no Twitter


Deixa um Comentário

Tags Populares

blank